Chile exportou 229 milhões de litros de vinho em 98
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terça-feira, 19 de outubro de 1999
Por Avelino Alves (assinatura obrigatória) 
Santiago, 20 (AE) - Em menos de uma década a imagem vinícola do Chile mudou radicalmente. De uma produção centrada unicamente no mercado nacional, voltou-se para o exterior. Essa mudança na estratégia, fruto da redemocratização do país, explica por que a exportação de vinhos pulou de 14 milhões de litros em 1987 para 229 milhões em 98. Os vinhos chilenos são consumidos em 87 países, principalmente Estados Unidos, Inglaterra e Japão, os maiores compradores. Em 93 as vendas de vinho chileno totalizaram US$ 129 milhões. Esse número saltou para US$ 500 milhões em 98, crescimento de 21% em relação a 97. No mercado internacional, os vinhos chilenos oscilam entre US$ 5 a garrafa a US$ 100.
"O mercado brasileiro é muito fechado aos nossos vinhos", reclama Rodrigo Alvarado Moore, que gerencia a Associação de Produtores de Vinhos Finos de Exportação. A explicação, segundo ele, residiria na preferência brasileira pela cerveja. "Ou porque os produtores de vinho no Brasil temam a concorrência", ataca. Fruto de um acordo entre os governos do Brasil e Chile, os brasileiros importam atualmente, por ano, menos de 250 mil caixas de vinho do Chile.
O segredo do sucesso do vinho chileno para os paladares mais exigentes - dentre os quais os dos franceses - se explica pelo "clima, solo, luz, temperatura e umidade excelentes para produção", conta Sebastian Lopez Mujica, relações públicas da Viña Concha y Toro S.A. Desde 85, informa ele, a qualidade do vinho tem sido conseguida graças a investimentos em tecnologia. Um exemplo é que os tonéis, antes feitos de raulí (madeira típica do Chile) foram substituídos por tanques de aço inoxidável. No caso dos tonéis pequenos para fermentação e armazenagem de alguns tipos de vinhos finos, os produtores optaram por barricas procedentes dos Estados Unidos e França.
Este cuidado e preocupação fez com que, desde 79, muitos investidores estrangeiros se instalassem no Chile para produzir vinho de forma individual ou associada. Dentre estes, destacam-se produtores da França, Espanha e Inglaterra. O caso mais recente foi a aliança entre a empresa Concha y Toro e a francesa Barão Philippe de Rothschild S.A., que se uniram para produzir um vinho de primeira grandeza, o Almaviva. A parceria já redundou em duas produções. O Almaviva tem sua produção vendida mesmo antes de ser feito, informa Lopez Mujica.
Pisco corre por fora Os quase 80 mil hectares de videiras espalhados pelo país guarda uma parte para produzir Pisco, a aguardente elaborada da destilação de vinho proveniente de nove variedades da uva moscatel. Segundo Sebastián Lopez Mujica, a qualidade do pisco, e seu vínculo cultural com o Chile, tem permitido à bebida enfrentar a presença dos "estrangeiros": uísque, tequila e vodca.
Números do ProChile, órgão que responde pela inserção de produtos chilenos no exterior, mostram que em 98 o país exportou 467 mil litros de pisco, com retorno de menos de US$ 900 mil. Os maiores compradores foram Argentina (US$ 336,8 mil), Estados Unidos (US$ 109,3 mil), Inglaterra (US$ 74,5 mil) e Alemanha (US$ 70 mil). O pisco dá trabalho direto e indireto a mais de 65 mil pessoas. A maior produção se concentra em uma região chamada Norte Chico, a 500 quilômetros de Santiago, a capital do país.


