Santiago, 18 (AE-AP) - A chanceler chilena Soledad Alvear disse que seu país votou a favor de uma censura a Cuba na comissão de Direitos Humanos da ONU por considerar que houve "um retrocesso" de Havana em relação às liberdades civis e políticas. Em compensação, Alvear afirmou que o Chile votará a favor de Cuba em outra resolução na próxima semana.
"Não estamos votando contra Cuba", afirmou a chanceler. Justificando a posição do governo do presidente socialista Ricardo Lagos, Alvear disse que o voto chileno decidido só na madrugada de hoje, segundo informações de imprensa não desmentidas - foi dado levando em consideração os informes de organismos internacionais e outros "antecedentes reunidos por canais habituais".
O que foi desmentido por Claudio Huepes, porta-voz da presidência, foi a versão de que, em sua opção de voto, o governo teria privilegiado a posição da Democracia Cristã, em detrimento da posição do Partido Socialista de Lagos, que teria preferido a abstenção.
Huepe lembrou que, em relação aos direitos humanos em Cuba, a posição chilena tem sido consistente: a de condenação nos últimos dez anos, com uma só exceção de abstenção em 1998.
Na Argentina, a decisão de apoiar a moção que critica Cuba provocou discrepâncias dentro da coalizão de governo do presidente Fernando de la Rúa.
O ex-presidente Raúl Alfonsín, titular da União Cívica Radical (UCR), disse estar "desgostoso" com a posição de seu país, e vários ministros do gabinete de de la Rúa criticaram as instruções dadas pelo chanceler Adalberto Rodríguez ao representante argentino em Genebra encarregado de votar na comissão de Direitos Humanos.
Uma das críticas foi a de que, com este voto, o atual governo se alinhou com o de seu antecessor, Carlos Menem. Outro sócio da aliança governamental, a centro-esquerdista Frente do País Solidário (Frepaso), também criticou a posição adotada hoje pela Argentin.
Além de Chile e Argentina, os países do hemisfério que votaram a favor da moção de censura foram: EUA, Canadá, El Salvador e Guatemala. Cuba, Peru e Venezuela votaram contra e Brasil, Colômbia, Equador e México se abstiveram.

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