Chile convoca embaixador na Espanha
Santiago, 17 (AE-AP) - O governo do Chile chamou temporariamente de volta seu embaixador na Espanha para expressar seu desagrado com a resposta negativa dos espanhóis em permitir uma arbritragem internacional para decidir sobre o processo de extradição do ex-ditador, general Augusto Pinochet. "Convocamos o embaixador para consulta, um movimento que sem nenhuma dúvida reflete o presente estado de nossas relações com a Espanha", disse hoje (17) o ministro das Relações Exteriores do Chile, Juan Gabriel Valdes. No entanto, o ministro descartou uma retirada definitiva do embaixador, Sergio Pizarro, de Madri ou o rompimento das relações com a Espanha por causa da situação de Pinochet. "Romper as relações seria ineficiente e não muito inteligente"
disse Valdes à Rádio Cooperativa de Santiago. Não se sabe quando Pizarro deverá viajar de Madri. O ministro das Relações Exteriores chileno tem uma viagem agendada para Nova York no final de semana para atender à Assembléia Geral da ONU e para manter negociações sobre o caso Pinochet com seu colega espanhol, Abel Matutes. As primeiras informações divulgadas indicavam que Valdes convocaria Pizarro para Nova York para consulta, mas hoje (17) o ministro disse que estava chamando o embaixador para Santiago - uma forma frequentemente usada pelos governos para expressar seu descontentamento com outras nações. O Chile ficou irritado com a decisão da Espanha de rejeitar sua proposta de permitir que uma arbitragem internacional decidisse se a justiça espanhola tem ou não o direito de julgar Pinochet. O governo do Chile argumenta que nenhuma corte estrangeira ou juiz tem jurisdição sobre um cidadão chileno por crimes supostamente cometido no país. Pinochet foi detido em Londres em outubro de 1998 por solicitação do juiz espanhol Baltasar Garzón - que quer processar o ex-ditador chileno por crimes contra os direitos humanos cometidos durante seu regime, de 1973 a 1990. Com a resposta negativa da Espanha, o governo chileno disse que levaria o caso à Corte Internacional de Haia. Valdes admite que o processo nessa corte seria muito longo e que a única esperança realista para obter a rápida libertação de Pinochet seria por razões humanitárias, baseada em sua frágil saúde. Nos últimos tempos, o general foi submetido a uma série de exames e avaliações médicas, algumas requisitadas pelo governo chileno para fortalecer o seu pedido. Pinochet sofre de diabetes
usa um marca-passo e tem tido dificuldades para andar. O ex-ditador estava se recuperando de uma cirurgia quando foi detido em Londres. Apesar da crescente deterioração nas relações diplomáticas com a Espanha, o governo chileno tem assegurado que os investimentos espanhóis no Chile não seriam afetados.





