Vale Napa (AE-REUTERS) - Para muitos americanos, vinho chileno significa um barato "vinho de festa", custando menos do que U$ 5 a garrafa. Enquanto estes vinhos ainda são abundantes, uma nova onda de intrigantes - e de certa forma exóticos - cabernets, merlots, chardonnays e sauvignon blancs chilenos chegou nos Estados Unidos e está ganhando altas notas de especialistas. Muitas destas variedades de chilenos - vinhos predominantemente feitos de um tipo de uva - custam entre U$ 7 e U$15. Especialistas em vinhos concordam que muitas destas novidades - produtos de melhores técnicas de plantio e confecção, tecnologia e investimento estrangeiro - são valores fantásticos para o dinheiro.
Há também vinhos de alta qualidade sendo feitos, como o produzido pela joint venture Robert Mondavi vendido por mais de US$ 50 a garrafa. Em tudo, os especialistas acreditam que o Chile é a nova fronteira da produção de vinhos. "Há um grande futuro para o vinho do Chile. O país é abençoado por um clima incrivelmente bom para a cultura de uva", disse Agustin Huneeus, presidente da Franciscan Estates, no Vale Napa, que é dona da Veramonte, no Vale Casablanca, no Chile. "O Chile tem algumas das condições únicas no mundo, verificadas em Napa, que são encontradas em Bordeaux e possivelmente em mais alguns poucos lugares para se produzir estas variedades muito interessantes", disse Huneeus, um chileno que administrou a maior vinícola do país, a Concha y Toro, nos anos 60.
O Chile é o único país que está produzindo quantidades comerciais de carmenere, uma uva antes cultivada em Bordeaux e que pensava-se haver sido totalmente destruída pela phylloxera. Os produtores de vinho chilenos pensavam que a uva era merlot, mas quando vinicultores visitaram o Chile notaram as diferenças. Usando análises de DNA, o Ministério da Agricultura chileno recentemente concluiu que muitas das "merlot" plantadas no Chile, eram na verdade carmenere. Don Baker, o produtor do vinho chileno Calina, disse que como as carmenere estavam plantadas misturadas com as merlot, geralmente as duas acabavam sendo misturadas, dando aos merlots chilenos um caráter temperado distinto. Apesar das carmenere terem uma cor suave como as merlot, elas têm mais "músculos", ele disse, adicionando que já começou a isolar as carmenere das merlot e que a Calina - que pertence a Jess Jackson, fundador da vinícola Kendall- Jackson em Sonoma, na Califórnia - irá vender carmenere como uma variedade separada. "É um tipo de vinho voluptuoso comparado com o merlot, que é um vinho fraco", disse Huneeus. "O carmenere é mais profundo na cor e muito mais sedoso no paladar". Seu Primus de Veramonte é agora 100% carmenere, mas Huneeus disse que planeja também misturá-lo com o cabernet.
Jackson também é dono de uma vinícola na Argentina que produz o selo Mariposa, que deve ser mudado em breve para Tapiz. Entre suas variedades está o malbec, geralmente usado nas misturas francesas Bordeaux para adicionar suavidade ao vinho. Mas na Argentina a uva malbec prosperou, produzindo um vinho ricamente colorido com um exótico aroma temperado. Estas companhias norte- americanas se juntaram a diversas vinícolas internacionais que foram para o Chile, incluindo a as famílias francesas Rothschild e Marnier-Lapostolle. A última, que faz o licor Grand Marnier, é dona da chilena Casa Lapostolle.
Parece brincadeira que as vinícolas da Califórnia se tornaram parte integral do desenvolvimento do Chile, uma vez que suas regiões produtoras de vinho são parecidas com aquelas no Vale Napa. E o movimento rápido do país para dentro da lista dos mais importantes produtores de vinho internacionais espelha a evolução da Califórnia de produtora de vinhos baratos para uma região produtora de vinhos de alta qualidade. "Por quarenta anos a Califórnia foi vista da mesma maneira", disse Huneeus. "Sérios apreciadores de vinhos americanos, como os de Nova York, nunca olhariam para o oeste. Eles olhavam para o leste. O vinho da Califórnia era considerado um burgundy, um chablis doce. Muito ordinário". Ele disse que os vinhos da Califórnia que tentaram competir com os franceses "foram riscados para fora da lista de vinhos".
Educar os consumidores sobre a nova qualidade dos vinhos chilenos também é um processo lento. Mesmo com contínuas críticas favoráveis, as vinícolas ainda enfrentam o problema de simplesmente fazer os apreciadores de vinhos norte-americanos experimentarem seus produtos. Muitas lojas de bebidas ainda devotam pouco espaço aos vinhos sul-americanos e restaurantes são lentos em incorporá-los a seus menus. "A coisa mais difícil de se fazer é colocar os vinhos nas listas consideradas pelos consumidores", disse Paul Ginsburg, vice-presidente executivo da Kendall-Jackson. Ele disse que tais listas são uma das maneiras mais efetivas de levar os consumidores a provarem vinhos diferentes. Alan Schnur, vice-presidente da Mondavi, no Vale Napa, disse que a companhia está trabalhando para colocar seu selo Caliterra em cadeias populares como a TGI Fridays, oferecendo descontos para os restaurantes, que podem vender os vinhos por cerca de U$ 5 o copo. "O importante é levar o produto à boca das pessoas", ele disse.
Os produtores dizem que vinhos altamente cotados e premiados do Chile também irão ajudar a ganhar aceitação de seus vinhos com preços moderados. Um exemplo é a atenção da mídia para o Sena, o vinho top de linha produzido pela joint venture entre as famílias Robert Mondavi e Eduardo Chadwick de Vina Errazuriz, no Chile. O vinho, uma mistura de variedades Bordeaux clássicas, foi apresentado pela primeira vez nos Estados Unidos no ano passado, sendo vendido por cerca de US$ 50 a garrafa. A segunda safra (1996) estréia este mês. As duas vinícolas também fizeram uma sociedade para levar ao mercado mundial o Caliterra, de preço moderado.
As vinícolas dizem que seu verdadeiro objetivo é fazer os consumidores perceberem que os vinhos do Chile são únicos. "O que precisamos fazer é produzir vinhos que melhor representem o Chile ... os estilos, a qualidade das uvas. Eles têm sua própria elegância", disse o vinicultor da Mondavi, Tony Coltrin, parte do time de produtores do Chile. "Isto é sobre o Chile. É sobre apoiar o Chile em trabalhar seu caminho para a proeminência que deveria ter há anos", disse ele. O filho de Huneeus, Augustin Francisco, vice- presidente e diretor nacional de vendas da Franciscan, adicionou: "Nós tentamos fazer vinhos que representem um pedaço do solo ... uma expressão única dele".

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