Chikungunya avança pelo Brasil
"Não há risco da chikungunya vir a ser uma epidemia. Ela já é uma epidemia neste momento", garantiu o infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Campo Grande (MS), Rivaldo Venâncio da Cunha. Segundo ele, as variações climáticas reduziram o número de notificações em alguns meses do ano. No entanto, a epidemia permanece. Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2015, foram notificados cerca de 38 mil casos de chikungunya em 650 municípios. Neste ano, conforme Cunha, já foram registradas 236 mil notificações até meados de outubro em, aproximadamente 2.250 municípios.
Para o pesquisador, a epidemia deve avançar pelas regiões Sudeste e Sul do Brasil. "Houve uma explosão dos casos. A epidemia está em curso e tende a se agravar ainda mais no final do ano. Esses 236 mil casos ainda estão fortemente compostos pelos registros no Nordeste do País, mas já há casos no Sudeste", destacou.
De acordo com Cunha, o desafio é estruturar a rede de saúde para atender os pacientes com suspeita da doença, já que a infecção pelo vírus transmitido pelo Aedes aegypti exige acompanhamento multiprofissional. "A nossa rede é muito alicerçada em pronto atendimento e em hospitais, tanto a rede pública quanto a rede privada. Numa epidemia, qualquer que seja ela, é mínima a capacidade de absorver essa avalanche de casos novos que chegam para além daquela rotina. Quem absorve esse pessoal é a rede de atenção primária. Tivemos tempo, mas não nos organizamos adequadamente", lamentou o pesquisador.
Concentração de casos de uma doença em um mesmo local e época
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