De agosto de 2015 até julho deste ano, Sesa registrou 73 casos de febre chikungunya
De agosto de 2015 até julho deste ano, Sesa registrou 73 casos de febre chikungunya | Foto: Luis Robayo/AFP



"Não há risco da chikungunya vir a ser uma epidemia. Ela já é uma epidemia neste momento", garantiu o infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Campo Grande (MS), Rivaldo Venâncio da Cunha. Segundo ele, as variações climáticas reduziram o número de notificações em alguns meses do ano. No entanto, a epidemia permanece. Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2015, foram notificados cerca de 38 mil casos de chikungunya em 650 municípios. Neste ano, conforme Cunha, já foram registradas 236 mil notificações até meados de outubro em, aproximadamente 2.250 municípios.
Para o pesquisador, a epidemia deve avançar pelas regiões Sudeste e Sul do Brasil. "Houve uma explosão dos casos. A epidemia está em curso e tende a se agravar ainda mais no final do ano. Esses 236 mil casos ainda estão fortemente compostos pelos registros no Nordeste do País, mas já há casos no Sudeste", destacou.
De acordo com Cunha, o desafio é estruturar a rede de saúde para atender os pacientes com suspeita da doença, já que a infecção pelo vírus transmitido pelo Aedes aegypti exige acompanhamento multiprofissional. "A nossa rede é muito alicerçada em pronto atendimento e em hospitais, tanto a rede pública quanto a rede privada. Numa epidemia, qualquer que seja ela, é mínima a capacidade de absorver essa avalanche de casos novos que chegam para além daquela rotina. Quem absorve esse pessoal é a rede de atenção primária. Tivemos tempo, mas não nos organizamos adequadamente", lamentou o pesquisador.
Para cada caso de chikungunya notificado pela rede de saúde, outro caso suspeito permanece sem notificação. A estimativa dos estudiosos, segundo Cunha, leva em conta que cerca de 70% a 80% dos infectados pelo vírus manifestam sintomas da doença. Entre os sinais estão dores nas articulações, febre, edemas e inchaço pelo corpo. Nos casos mais graves, os sintomas dificultam a realização de tarefas simples como tomar banho, pentear os cabelos ou manusear o celular. A recuperação é mais lenta e demanda assistência médica durante meses. A duração do tratamento varia de caso a caso. Os pacientes infectados pelo vírus da dengue levam em torno de uma semana para se recuperar da doença.
De agosto de 2015 até julho deste ano, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) registrou 73 casos de febre chikungunya, sendo nove autóctones e 64 importados. No total, 2.804 casos suspeitos foram notificados, 12 deles em Londrina, onde houve apenas uma confirmação. Entre agosto deste ano e o início de novembro, apenas três casos de chikungunya foram confirmados no Paraná, sendo dois no município de São João (Sudoeste) e um em Mercedes (Oeste). Ao todo, 102 casos foram notificados nesse período. Um novo boletim epidemiológico com a atualização dos números deve ser divulgado no final da tarde desta terça-feira (22).
Na rede estadual de saúde, as capacitações foram realizadas nos últimos dois anos para melhorar a assistência aos pacientes e a notificação dos casos suspeitos. "O diagnóstico depende da coleta do material. Até o 5º dia do início dos sintomas, o exame é feito em tempo real. Após esse período, a partir do 7º dia é feita a coleta do exame sorológico. Esses exames estão disponíveis em todo o País", informou a chefe do Centro de Vigilância Ambiental da Sesa, Ivana Belmonte. No Paraná, os resultados são concluídos em 15 dias e o mesmo exame detecta dengue, zika e chikungunya.
A preocupação agora é com a chegada do verão e com as viagens realizadas no período das férias, principalmente, rumo ao Nordeste. Os sintomas podem aparecer 15 dias após a infecção. Para evitar a doença é recomendado o uso de repelentes e de roupas de mangas compridas. "O quadro clínico inicial é muito semelhante. No caso da chikungunya, há sinais característicos. A questão é identificar esse paciente e confirmar ou não a doença. Os profissionais da saúde precisam pensar em chikungunya e já começar a tratar os sintomas", completou a diretora de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Fátima Tomimatsu.
Enquanto o vírus da febre chikungunya causa dores nas articulações, inchaço, entre outros sintomas; pacientes com dengue apresentam febre, dores de cabeça, náusea e fraqueza; já as pessoas infectadas pelo zika desenvolvem manchas avermelhadas e coceira. As três doenças transmitidas pelo Aedes aegypti apresentam características semelhantes como febre e dores pelo corpo.

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