Rio de Janeiro - O médium Chico Xavier, guru de milhões de brasileiros, morreu domingo, aos 92 anos, em Uberaba, Minas Gerais. Para os amigos mais íntimos, Chico Xavier dizia que gostaria de desencarnar em um dia em que o povo brasileiro estivesse muito feliz. E o desejo foi atendido, pois ele morreu no domingo à noite, quando a população ainda comemorava a conquista do pentacampeonato mundial de futebol.
Respeitado por seu trabalho em favor dos pobres, Francisco Cândido Xavier padecia há vários anos de problemas respiratórios e cardíacos.
O governador de Minas Gerais e ex-presidente da República, Itamar Franco, decretou três dias de luto em todo o estado.
Considerado um santo por muitos brasileiros, Chico Xavier recebia em seu centro espiritual de Uberaba milhares de pessoas em busca de consolo espiritual ou de comunicação por seu intermédio com seres queridos já falecidos.
Católico fervoroso até os 17 anos, quando se tornou plenamente adepto ao espiritismo, Chico Xavier dizia ter tido muitas visões inexplicáveis: rosas saindo de um altar consagrado a Santa Teresa de Lisieux e flutuando no ar ou iluminações repentinas ao redor de uma estátua da Virgem Maria.
Suas faculdades de médium, sua humildade e seu trabalho pelos pobres lhe renderam rapidamente milhares de fiéis, para os quais psicografou dezenas de livros. O primeiro deles, publicado em 1932, lhe valeu duras críticas dos meios intelectuais. Intitulada ''Parnaso de além-túmulo'', a obra reunia 203 poemas ''ditados'' por 38 poetas mortos.
Antecipando as críticas, ele escreveu no prefácio: ''Sei que vou ser objeto de comiseração ou de risos, mas alguns encontrarão consolo (em meus livros)''. ''Se apenas uma pessoa se sentir reconfortada, me dou por satisfeito''.
Chico Xavier psicografou 337 livros em 54 anos e figura entre os autores brasileiros mais lidos.
Ontem à tarde, a fila para se despedir de Chico Xavier tinha mais de dois quilômetros. A espera até chegar ao caixão onde está o corpo do médium era de uma hora. O sepultamento de Chico Xavier será hoje, às 17 horas, no Cemitério São João Batista, em Uberaba.

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