Chico Lopes será convocado para depor sobre favorecimento
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terça-feira, 10 de agosto de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 11 (AE) - A Polícia Federal -assim como a CPI dos Bancos- convocará novamente o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes a prestar depoimento sobre as suspeitas de favorecimento do BC aos bancos Marka e FonteCindam na crise da desvalorização cambial. Lopes será chamado pelo delegado Luiz Pontel, que apura suposto vazamento de informações no episódio, nos próximos dias, e será convocado a depor em mais dois inquéritos. Um apura a procedência de US$ 1,6 milhão que Lopes teria no exterior; outro investiga supostas irregularidades na liquidação do Banco Applicap (caso sem ligações com a crise de janeiro).
Ontem (10), em Brasília, o relator da CPI, senador João Alberto (PMDB-MA), anunciou que pretende ouvir Lopes de novo, provavelmente na quinta-feira da próxima semana. Na primeira tentativa dos senadores de ouvir o depoimento do ex-presidente do BC, Lopes foi preso por suposto desacato à CPI ao se recusar a assinar o compromisso de testemunha (segundo o qual não poderia calar sobre nada que fosse perguntado, não podendo, assim, se esquivar de dar respostas que poderiam incriminá-lo). O ex-presidente do BC garantiu esse direito depois no Supremo Tribunal Federal (STF).
Delegados e procuradores da República que investigam o caso não compartilham da convicção dos senadores da CPI dos Bancos, que estão desanimados quanto à possibilidade de conseguir provas de que houve vazamento de informações por parte da diretoria do BC antes da desvalorização. Os investigadores esperam, nos próximos 30 dias, com os resultados de perícias e novos depoimentos, encerrar a primeira fase das investigações, com possíveis indiciamentos. Ontem (10), policiais e representantes do Ministério Público voltaram a discutir que crimes e responsabilidades supostamente já estão tipificados.
"Foi um passeio pelo Código Penal", disse um dos participantes do encontro. Pontel ficará no Rio pelos próximos três meses, para prosseguir com as investigações. Procurado pelo telefone, o advogado de Lopes, Luiz Guilherme Vieira, não retornou as ligações.


