Chico Lopes depõe às 16h30; CPI do Judiciário ouve ex-genro
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de abril de 1999
Por José Ramos e Nelson Breve 
Brasília, 26 (AE)- As duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) em funcionamento no Senado vão ouvir hoje depoimentos que podem ser a chave para o desenvolvimento das investigações. A CPI que apura denúncias de irregularidades no Sistema Financeiro ouvirá a partir das 16h30 o depoimento do ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes, apontado como suspeito de participar de um esquema de venda de informações privilegiadas. As suspeitas sobre Lopes foram reforçadas depois que procuradores do Ministério Público Federal apreenderam documentos na busca realizada na casa dele dia 16 deste mês, no Rio de Janeiro. Os senadores que integram a CPI dos Bancos querem que Lopes esclareça no depoimento de hoje se possui US$ 1 675 milhão em contas no Exterior em nome de seu ex-sócio na empresa de consultoria Macrométrica, Sérgio Luiz Bragança, conforme consta de um dos documentos apreendidos p or procuradores federais no dia 16.
O ex-presidente do BC terá que explicar também que tipo de relações tinha com a Macrométrica nos últimos três anos, período em que comandava a política monetária do País. Essas duas questões não estão diretamente relacionadas aos fatos definidos pela CPI como objeto de investigação. Os senadores argumentam, no entanto, que o esclarecimento deles pode dar um rumo à investigação sobre o suposto vazamento de informações privilegiadas e sobre as operações de socorro aos bancos Marka e FonteCindam.
Judiciário - A CPI do Judiciário também deverá ouvir hoje, a partir das 10 horas, dois depoimentos importantes que podem ser a chave para sustentar as denúncias de corrupção e nepotismo nos Tribunais Regionais do Trabalho de São Paulo (TRT-SP) e da Paraíba (TRT-PB). O principal depoente é Marco Aurélio Gil de Oliveira, ex-genro do ex-presidente do TRT-SP Nicolau dos Santos Neto. Ao depor no Ministério Público de São Paulo, Oliveira acusou o ex-sogro de possuir bens em nome de "laranjas" e de uma empresa com sede nas Bahamas. O ex-presidente do TRT-SP, que deverá depor na CPI na próxima quinta-feira, também é acusado de ter bens incompatíveis com sua renda.
Os senadores apuram denúncias de irregularidades na licitação e superfaturamento das obras da futura sede do Tribunal, conduzidas por Santos Neto, que já custaram US$ 230 milhões aos cofres públicos e ainda estão inacabadas. O outr o depoente na CPI do Judiciário é o subprocurador geral da República Eithiel Santiago Brito Pereira, encarregado de apurar as denúncias contra a administração do TRT da Paraíba.


