Rio, 07 (AE) - Considerado o único pré-candidato do PT a prefeito do Rio que pode unir todos os grupos anti-Articulação e derrotar a vice-governadora Benedita da Silva (PT) nas prévias de 26 de março, o ex-deputado Vladimir Palmeira (PT) receberá quinta-feira (10) o apoio do deputado estadual Chico Alencar (PT), que vai se retirar da disputa.
Há menos de três anos e meio, Chico Alencar quase chegou ao segundo turno da eleição municipal do Rio, em 1996, quando teve 641.526 votos (21,7% dos válidos).
A decisão de substituir Chico Alencar foi tomada depois que uma comissão do Refazendo, agrupamento da esquerda petista fluminense, consultou representantes de tendências que ocupam o centro do espectro político da legenda. O presidente local do PT
deputado Carlos Santana (Opção Popular), o vereador Adilson Pires (Campo de Ação Popular), e os militantes Ivanir dos Santos (PT com a Nossa Cara) e Alexandre Rodrigues (Opção Socialista) sinalizaram que os grupos têm mais possibilidade de apoiar Palmeira.
"Eles não disseram que vêm com a gente, mas só vêm se for com o Vladimir", confidenciou um integrante do Refazendo. Chico Alencar estava hoje explicando a retirada a militantes petistas que lhe são próximos e não retornou o recado telefônico da reportagem, mas a decisão de renunciar em favor de Palmeira estava tomada, segundo dirigentes do Refazendo. Apesar da votação em 1996, Chico Alencar não conseguiu fazer decolar a candidatura no PT por ser considerado, em algumas áreas, auto-suficiente demais e hostil a acordos.
A volta de Palmeira repõe o PT do Rio no caminho do acirramento do confronto interno. Em 1998, o lançamento de Palmeira como candidato a governador lançou o PT fluminense na maior crise da história do partido. Para apoiar o então postulante do PDT, Anthony Garotinho, o comando nacional do PT interveio na seção fluminense e cassou a candidatura de Palmeira. Este ano, a esquerda petista aposta que não haverá intervenção.
Como a Articulação não tem, sozinha, maioria no município do Rio e o Refazendo só controla cerca de 20% dos votos, o apoio dos grupos de centro, se confirmado, poderá decidir o pleito interno em favor de Palmeira. Isso voltou a pôr Santana, comandante da segunda maior tendência petista no Estado
na condição de fiel da balança.
"Estamos esperando oficializar (a entrada de Palmeira na disputa)", disse Santana hoje. Ele negou que tivesse decidido quem vai apoiar nas prévias e explicou que essa decisão só será tomada pelo grupo do qual faz parte no fim do mês.
O Refazendo também discute informalmente com o deputado federal Alexandre Cardoso a possibilidade de uma aliança PT-PSB, encabeçada por Palmeira, no primeiro turno do pleito de 2000.
"O Vladimir candidato é um fato novo", disse Cardoso, que é pré-candidato a prefeito. "Se ele vencer a prévia, o PSB vai reavaliar o quadro." Cardoso deixou claro que só se alia ao PT se Benedita não for a candidata.