Chernomyrdin fará giro, Annan vai a Moscou.
Berlim e Moscou, 28 (AE-ANSA) - O mediador russo Viktor Chernomyrdin viajará amanhã à Alemanha, Itália e Iugoslávia, enquanto o secretário-geral da ONU estará em Moscou, em missões decisivas buscando aproveitar alguns progressos para deter a guerra na Iugoslávia, anunciaram hoje (28) autoridades.
Houve "algum progresso" na busca de uma solução política, declarou hoje em Bruxelas o secretário-geral da Otan, Javier Solana, enquanto em Moscou Chernomyrdin dialogava com emissários americanos e alemães. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, antes de partir para a Rússia, fazia o mesmo com as maiores autoridades de Berlim.
Esta atividade diplomática febril para tratar de um conflito que, segundo Annan, "não tem solução militar", foi provocada pelo anúncio da disposição de Belgrado de aceitar que uma força internacional armada ou com apoio armado entre em Kosovo.
A Otan, que inicialmente impunha como condição que essa força fosse da aliança atlântica, parece aceitar agora fórmulas alternativas. Foi o que sugeriram porta-vozes americanos, que na noite de terça-feira falaram de uma força internacional "dirigida" ou "em sintonia" com a aliança.
Esses movimentos provocaram expressões de otimismo. O ministro da Defesa alemão, Rudolf Scharping, se reuniu em Moscou com Chernomyrdin e expressou esperanças de uma solução negociada, apesar de ter pedido cautela porque, disse, "as decisões da Otan são tomadas por todos os países que a formam".
Annan advertiu em Berlim que se trata de um processo "longo e complexo" e que "não se deve esperar sucessos rápidos".
Analistas destacaram que os primeiros passos indispensáveis são a confirmação por parte de Belgrado da aceitação de uma força internacional, e por parte da Otan, que essa força seja enviada por decisão da ONU e sob sua bandeira.
Hoje, Chernomyrdin disse que uma condição "indispensável" para que as negociações avancem é que a aliança suspenda os bombardeios contra a Iugoslávia, perspectiva que nem sequer foi mencionada por todas autoridades e porta-vozes da aliança.
Em Moscou, transpirou que Chernomyrdin e o subsecretário de Estado americano, Strobe Talbott, procuram aproximar as diferenças sobre a composição da força para Kosovo.
Observadores ocidentais disseram que é "impensável" que a aliança aceite que nessa força não haja tropas dos países que integram a Otan, como quer Belgrado.
"Existem sinais de que algo se move e de que, durante as próximas semanas, talvez tenhamos alguma boa notícia", afirmou Solanas durante entrevista coletiva em Bruxelas.
O novo quadro tendendo a aprofundar a busca de uma solução negociada se completou hoje com uma declaração de Annan, inédita desde que em 24 de março começaram os bombardeios da Otan, na qual ele virtualmente comparou a tragédia humanitária dos kosovares com os sofrimentos que padecem a população do resto da Iugoslávia.
Depois de reunir-se com o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, Annan advertiu que os sofrimentos de "toda a população civil da Iugoslávia, sérvios e albaneses", são "inaceitavelmente altos".
Sobre o rumo das negociações, o chanceler alemão disse que "será preciso mais paciência do que se podia pensar; a crise não será resolvida em um par de dias. Estamos no começo de um processo político e não no fim".
Annan classificou de "ligeiramente estimulante" o anúncio de que Belgrado aceitará uma força internacional de paz, feito pelo vice- premier iugoslavo Vuk Draskovic, que hoje mesmo foi exonerado do cargo por recentes críticas ao governo de Belgrado.
Draskovic era visto no Ocidente como uma das autoridades iugoslavas mais propensas -ao menos publicamente - a aceitar a fórmula russa para o avanço das negociações, que inclui a instalação de uma força internacional de paz em Kosovo.





