Chernobyl, uma lembrança amarga
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sexta-feira, 26 de abril de 2002
France Presse 
Chernobyl, Ucrânia - Os ucranianos comemoraram ontem o décimo sexto aniversário da catástrofe de Chernobyl, cuja contaminação nuclear ainda envenena a vida de milhões de pessoas na Europa.
Em 26 de abril de 1986, 1h23 da madrugada, duas explosões lançaram para o ar os estilhaços do quarto reator de Chernobyl. Durante mais de 10 dias, o núcleo atômico ardeu, liberando uma radioatividade equivalente a pelo menos 200 bombas das lançadas sobre Hiroshima. Três quartos da Europa foram afetados.
Ontem cedo, o presidente ucraniano Leonid Koutchma rezou em uma pequena igreja de Kiev em memória das vítimas: entre 15.000 e 30.000 mortos na Ucrânia, segundo estimativas oficiais.
Na cidade de Chernobyl, localizada a cerca de 20 km da central e habitada essencialmente por funcionários usina, aproximadamente 800 pessoas fizeram um minuto de silêncio na madrugada de quinta para ontem. Como manda a tradição, beberam vodka em frente ao monumento em homenagem às 650.000 pessoas que participaram nos trabalhos de limpeza em volta da central colocando suas vidas em risco.
Apesar de a central ter sido completamente fechada há um ano, graças a uma ajuda internacional de 2,3 bilhões de dólares, 5.000 pessoas ainda trabalham no local, dedicadas em sua maioria a manter a segurança e a desmantelar o lugar que continua sendo uma ameaça nuclear.
Ainda há pó radiativo saindo pelas rachaduras da placa que cobre as ruínas do quarto reator, indicou recentemente o chefe da Comissão nacional ucraniana para a segurança radiativa, o acadêmico Dmitri Grodzinski.
Além da Ucrânia, a catástrofe de Chernobyl deixou também uma lembrança amarga na Europa ocidental.


