Chelotti diz que PF tinha denúncias de tráfico em aviões da FAB
Brasília, 18 (AE) - O ex-superintendente da Polícia Federal, delegado Vicente Chelotti, disse hoje na CPI do Narcotráfico que cerca de 2.300 aviões cruzam os céus do território brasileiro todos os anos, transportando um total de 400 toneladas de pasta-base da cocaína, droga que é refinada na Colômbia. O delegado confirmou que a Polícia Federal tinha notícia de pelo menos duas operações de tráfico em avião da Força Aérea Brasileira (FAB), até maio do ano passado, 11 meses antes do flagrante da mesma quadrilha, que resultou na prisão do tenente-coronel-aviador Paulo Sérgio Pereira de Oliveira, em abril último, quando tentou embarcar duas malas com 32,9 quilos de cocaína.
Chelotti deixou claro que inexiste controle do tráfego aéreo de aviões em território da Amazônia. O delegado sugeriu que o governo regulamente logo a lei que prevê a derrubada de aeronaves hostis em espaço aéreo brasileiro, aprovada pelo Congresso no ano passado.
Ele acredita que a Aeronática terá maior poder para derrubar os aviões assim que estiver concluído o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). "Hoje os aviões entram em território brasileiro sabendo que não serão hostilizados", disse Chelotti, "Eles vêm à vontade". Chelotti disse que a Polícia Federal recebeu informações em maio do ano passado que a Quadrilha estava enviando drogas ao exterior.
Em setembro, o delegado procurou o serviço de inteligência da Aeronáutica para que ajudasse nas investigações. O ex-diretor da PF disse, no entanto, que o número de vôos envolvendo o tráfico de drogas pode ser maior que três. "Pode ter sido mais", disse Chelotti.
Chelotti afirmou na CPI que estaria havendo uma "resistência" dos agentes da área de narcóticos dos Estados Unidos (DEA) para não se cadastrarem junto à Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). O delegado da PF acredita que isto seja resultado de um protocolo que a DEA assinou com a Polícia Federal, que tem validade até setembro deste ano. Chelotti disse que a Senad está "mal situada" no gabinete da Casa Militar da Presidência da República.
Paraguai - A CPI do Narcotráfico recebeu hoje denúncia anônima encaminhada ao deputado Eber Silva (PDT-RJ), envolvendo o nome de um general paraguaio no tráfico de armas. A AGÊNCIA ESTADO teve acesso ao dossiê.
O militar seria amigo do general golpista Lino Oviedo e estaria enviando armas ao Brasil e lavando dinheiro com a ajuda de três comerciantes de Foz do Iguaçú e de empresários em Curitiba (PR).
Hoje a CPI ouviu o depoimento do ex-presidente do Conselho de Entorpecentes do Acre, Guilherme Duque Estrada. Ele sugeriu que o ex-governador do Acre, Orleir Cameli, e o deputado Hildebrando Pascoal (PFL-AC) estão envolvidos com o tráfico de drogas no Acre. O deputado Hildebrando acompanhou o depoimento. Guilherme disse que Orleir recebeu em sua casa, por diversas vezes, a traficante Samia Haddock Lobo. Hildebrando deixou a sala da CPI no início da noite, mas disse que voltaria para fazer perguntas a Guilherme.





