Cheias desabrigam mais de 11 mil pessoas no RS
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terça-feira, 14 de abril de 1998
Ayrton Centeno Agência Estado 
Mais de 11 mil pessoas tiveram que abandonar suas casas por causa das cheias nas regiões da Fronteira Oeste e Depressão Central do Rio Grande do Sul. Cerca de 95% dos desabrigados são de Alegrete, município situado a 487 quilômetros de Porto Alegre. O nível do Rio Ibirapuitã, que banha a cidade, já subiu 3,88 metros acima da cota de alerta, segundo a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil. Há o temor de que o número de atingidos continue aumentando. As previsões da meteorologia indicam novas chuvas para as próximas 48 horas.
Só ontem, o total de flagelados em Alegrete saltou de 1,6 mil para mais de 10 mil. O Ibirapuitã subiu muito em poucas horas, testemunhou o major Leo Bulling, da Defesa Civil do RS, que vistoriava a situação em Alegrete. Um levantamento realizado pela Defesa Civil do Estado, prefeitura local e bombeiros nas áreas ribeirinhas indicou o abandono de 2.625 casas junto às margens do Ibirapuitã. De acordo com Bulling, os lugares mais atingidos são os bairros Promorar, Canudos, Vila Nova e Restinga. Os moradores buscaram refúgio em residências de parentes, amigos e abrigos ou armaram barracas em terrenos baldios. O Ibirapuitã corta a cidade ao meio e uma de suas pontes, a Borges de Medeiros, ficou submersa, segundo o major.
Também existem desabrigados nos municípios de Manuel Viana, São Gabriel, Quaraí e São Vicente do Sul. Os prefeitos de São Sepé, São Pedro do Sul, Faxinal do Soturno, São Vicente do Sul e Manuel Viana decretaram situação de emergência. Cacequi decretou estado de calamidade pública. Além do Ibirapuitã, também subiam as águas dos rios Quaraí, Vacacaí, Ibicuí e Santa Maria.


