VILA ALTA - Com quatro metros acima do seu nível normal no Noroeste do Paraná em consequência das chuvas, o Rio Paraná está ameaçando ilhéus do arquipélago de Ilha Grande, nos municípios de Vila Alta e Icaraíma. O Corpo de Bombeiros de Umuarama intensificou ontem a retirada dos moradores das ilhas ameaçados pelas cheias. Cerca de 100 pessoas foram alojadas em escolas e postos de saúde dos dois municípios e outras 100 devem ser retiradas até amanhã.
Metade das plantações de milho e arroz das 63 ilhas habitáveis já foi destruída pelas águas. Segundo o tenente do CB Jair Pinheiro, a situação na área é crítica. Quinze homens, incluindo policiais militares e voluntários, estão trabalham desde anteontem na remoção de pessoas que moram em áreas de risco. A grande maioria terá que ir para alojamentos públicos. Os moradores não estão apresentando resistência, como aconteceu na semana passada, ao trabalho das equipes.
‘‘Não temos outra alternativa’’, observou João Gerônimo da Silva, que planta lavouras de subsistência na Ilha Bandeirantes. Ele, a mulher e os três filhos moram numa casa modesta, feita com madeira da própria ilha, e que fica ao lado de um cercado para criação de porcos. Silva teve que deixar os animais. A expectativa é que voltaria ao final da tarde para buscá-los.
Heleno Ferreira é outra vítima da cheia do Paraná, junto da mulher e dos cinco filhos. ‘‘A água estava entrando na porta da cozinha’’, disse. Ele se mostrava conformado com a situação. ‘‘Não é a primeira vez que isso acontece. Mais uma vez vamos ter que deixar nossa vidinha’’.
Os ilhéus temem ser roubados enquanto estão longe de casa. ‘‘Já aconteceu várias vezes quando tivemos que sair’’, afirmou Ferreira, ao lado de Silva e de quatro crianças descalças e sem camisa.
A atenção aos ilhéus em terra firme está sendo dada pelas prefeituras de Vila Alta e Icaraíma, municípios vizinhos, que ficam a cerca de 80 quilômetros de Umuarama. O prefeito de Vila Alta, Marcos de Paula Farias, contratou dois caminhões para transportar os desalojados aos abrigos. Ele manteve contato com a Defesa Civil, em Curitiba, pedindo lonas plásticas e combustível para barcos e a balsa, que começou a funcionar ontem. A alimentação dos ilhéus do município, o mais atingido, ficará por conta da prefeitura.
AfluenteAs chuvas que caem na região há quase uma semana, além de elevar o nível do Paranazão, também provocam estragos nos seus afluentes. O Rio Ivaí, já gravemente assoreado e com suas matas ciliares devastadas, tem liberado grande quantidade de água e troncos de árvores, ameaçando os pescadores que se arriscam na atividade. O Rio Paraná começou a subir há 20 dias, com as chuvas em Minas Gerais e São Paulo, onde ele se forma pela confluência dos rios Paranaíba e Grande.
A cheia do Paranazão também vem dando dor de cabeça aos donos de gado em pastagens abertas na Ilha Grande apesar da proibição dos órgãos ambientais e do Ministério Público. Pelos cálculos do Corpo de Bombeiros, aproximadamente 40 bovinos desapareceram nas águas desde quarta-feira. Ontem, duas balsas adaptadas faziam a retirada de animais. Segundo a prefeitura de Vila Alta, cerca de 2 mil cabeças de gado ainda são criadas irregularmente nas ilhas do município. Continua chovendo na região.

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