Santiago do Chile, 23 (AE-ANSA) - O senador socialista José Antonio Viera Gallo afirmou hoje que chegou a hora de perdoar Augusto Pinochet e manteve que "não é justo" que o ex-ditador morra fora do país, como alguns exilados durante seu regime (1973-90).
"Chegou a hora de compaixão e clemência, e de assumir que não é justo que o general possa morrer fora do Chile, assim como não foi justo que isto tenha ocorrido com tantos exilados. Uma injustiça não justifica a outra", escreveu hoje Viera Gallo no jornal La Tercera.
O parlamentar e ex-subsecretário de Justiça durante o governo do presidente Salvador Allende, viveu vários anos exilado na Itália.
No Chile, escreve o senador, " ao sofrimento pela perda irreparável de um ser querido seguiu-se para muitos - em especial para certos setores de esquerda que pegaram em armas - uma grande marginalização provocada por seus erros políticos. Alguns militares inclusive negaram ou justificaram os atropelos invocando as razões de Estado e a lógica da guerra".
O senador disse ainda que a "característica fundamental da década da transição chilena é a contradição entre o moralmente inquestionável (o pleno império da justiça) e o políticamente inevitável: a exigência do perdão".
"Para além da justiça, é necessário o perdão", afirmou Gallo em sua nota, que conclui assinalando que "devemos perdoar porque nós também precisamos de perdão. Essa é a medida exata do êxito de uma transição para a democracia a partir da perspectiva dos direitos humanos".

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