Hoje à noite já saberemos que será o novo presidente da República. E também o novo governador do Estado. Quando começarem os mandatos, deveremos ter medidas de impacto, que correspondam às expectativas depositadas nas urnas em forma de votos. Os vencedores não poderão renegar os compromissos assumidos, muitos deles relacionados à segurança, no mais amplo sentido: paz social, menos corrupção e mais eficiência na Polícia, justiça mais ágil e presente, presídios cumprindo o papel da reinserção social.
Na apresentação de meu próximo livro, ''Narcoditadura'', o poeta Afonso Romano de Sant'Anna diz que ''a história de um país é também a história de seus bandidos''. Assim, é preciso escrever essa história para entendermos melhor nossa cultura. Chegou a hora de definir elegendo. Chegou, ao mesmo tempo, a hora de definir o que fazer para tirar o País da atual situação de crise, profunda geradora da violência.
Para fazer isso, precisamos sociedade, Governo saber de quem estamos falando. A partir daí, fazemos um raio-x e planejamos concretamente o que fazer. Nossa amostragem mais recente está calcada em dados do ano passado, obtidos num censo penitenciário promovido pelo Ministério da Justiça. O universo é de 230 mil prisioneiros em todo o país. A média de idade é de 25 anos. A grande maioria dos presos é bastante jovem.
De todos eles, 95% são homens. A fatia estatística feminina, como se vê, é bem baixa. Oscila atualmente em torno de 5%. Entre as mulheres presas, um detalhe: 85% são mães. Homem ou mulher, a procedência tem um denominador comum: famílias desestruturadas. E o que fizeram para serem presos? A grande maioria, 80%, furtou ou roubou. Tais crimes contra o patrimônio tiveram como alvo pessoas, individualmente, ou o patrimônio público e empresarial. O que fizeram da vida antes da prisão? Mais de 90% tiveram menos do que os oito anos mínimos de estudo garantidos pela Constituição. O índice de analfabetismo chega a 30%. Ínfimos 3% cumprem penas alternativas, como a prestação de serviços comunitários. Mais de 80% não têm condições de pagar um advogado particular para defendê-los. Passa de 90% o número de presos que cumpre suas penas em regime fechado. E os que saem da prisão mas voltam, reincidentes, estão na faixa de 70%. Nesse vaivém, 34% cometem outro delito até seis meses após deixarem a prisão; 12% em dez meses e 10% num intervalo de 18 meses.
Perder o emprego não é sinônimo de praticar crime no dia seguinte. As coisas vão acontecendo em capítulos. Essa radiografia mostra, na essência, porque alguém vai parar na cadeia de onde veio, para onde poderá ir. A sociedade não pode deixar de ver que muita coisa é previsível. Portanto, são necessários mecanismos de prevenção (aí entra a nossa parte) e um operante sistema punitivo diante de fatos consumados. É isso o que espera quem vencer nas urnas. E nós, que exercemos a cidadania através do voto, temos que ir pensando na nossa parte, pois o mundo do crime está sendo construído exatamente do jeito que você acaba de ler.

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