Chegam mais sem-terra à fazenda invadida em Piracicaba
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por José Maria Tomazela 
Piracicaba, 19 (AE) - O número de famílias acampadas na Fazenda Maria ¶ngela, em Piracicaba, interior de São Paulo, invadida no último dia 5 pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), está sendo reforçado com a chegada de novos contingentes. Segundo André Moutran, filho do dono das terras, novos barracos foram erguidos na propriedade nos últimos dias. "Enquanto o despejo não é realizado, eles estão reforçando o grupo", afirmou.
O líder do acampamento, João Paulo Rodrigues, disse que o total de acampados corresponde a 1,2 mil famílias e não houve reforço. "As famílias que chegaram substituíram algumas que foram embora." Segundo ele, o grupo é o mesmo que foi despejado da área urbana de Anhembi, dia 5.
Uma oficial de justiça de Piracicaba formalizou hoje a apresentação do mandado de despejo dos sem-terra conseguido também pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER). A maior parte dos barracos foi erguida sobre áreas de domínio do órgão, nas margens da Rodovia Samuel de Castro Neves (SP-147). O DER obteve também um mandado de interdito proibitório em relação a toda a estrada, o que impede os sem-terra de mudarem o acampamento para outro lugar na beira da rodovia. A SP-147 liga Anhembi a Piracicaba e é usada para escoamento da cana de açúcar.
Segundo André Moutran, sua família está providenciando os veículos e o pessoal que a PM requisitou para realizar o despejo - 20 caminhões, dois ônibus e 80 homens. Ele disse que existe a possibilidade de a retirada dos sem-terra ser feita gradualmente. "Estamos trabalhando para que tudo ocorra de forma pacífica."


