Rio, 15 (AE) - A entrada em operação da Vésper ainda não assustou a concorrência, segundo o coordenador de Planejamento Empresarial da Telemar no Espírito Santo, Ruy Dias de Souza, - onde a empresa-espelho iniciou as operações em Vitória e Vila Velha desde o dia 10. "Por enquanto, não sentimos nenhuma influência", afirma Souza. "Estamos em uma situação cômoda, porque os preços deles são mais altos do que os nossos", explica o executivo.
A principal diferença está nos valores da assinatura básica do aparelho. Enquanto a Vésper cobra R$ 382,23 como "taxa de ativação", no seu plano básico para assinante, e R$ 286,43 no plano para empresas, os valores cobrados pela Telemar-ES são, pela ordem, R$ 16,49 e R$ 24,73. "Queremos fazer a diferenciação pela qualidade dos serviços e não no preço da habilitação", responde o vice-presidente da Vésper, Rafael Steinhauser. "De que adianta cobrarmos R$ 80 se você não tem linha?", pergunta.
O prazo para entrega das linhas, no entanto, não foi fixado pela Vésper. "Depende da fluência", afirma o vice-presidente. Outra novidade oferecida pela empresa é o plano "Vésper Ideal" - um serviço pré-pago que se baseia na venda de cartões, tal qual já existe na telefonia celular. "O plano é para atender a quem quer um controle maior de seus gastos", afirma.
Delegacia - No Rio, mercado de maior demanda reprimida, a Vésper vai começar a entrar em operação aos poucos, por grupos de bairros, por causa da grande fluência, adianta Steinhauser. Na semana passada, a empresa e a Telemar Rio protagonizaram um incidente que acabou na delegacia: a antiga Telerj cortou cabos da espelho que haviam sido colocados em suas caixas na Barra da Tijuca, na quinta-feira.
A Telemar chegou a registrar queixa de invasão de propriedade na 16.ª Delegacia de Polícia, na Barra. Mas no dia seguinte, as duas empresas divulgaram um comunicado, segundo o qual o caso estava superado e as duas companhias estavam negociando o uso compartilhado de redes de telefonia de residências e condomínios. "Nossa relação com a Telemar sempre foi muito boa e vai continuar boa", tranquiliza Steinhauser, complementando que há espaço no mercado para duas empresas.
No Rio, pelo menos, a Vésper conta com a vantagem da imagem ruim da Telemar, lembra o diretor da Sociedade Brasileira de Telecomunicações (SBT) Waldo Russo, da empresa Union Engenharia, especializada no setor. Uma herança deixada pela antiga estatal Telerj. "Em outros estados, as companhias estatais já tinham boa imagem
mas no Rio ela é horrível", atesta.
Intelig - Essa vantagem não vai poder ser explorada pela Intelig, que irá concorrer com a Embratel a partir do dia 24, último dia do prazo para entrada em operação, segundo fonte ligada à empresa. "A Embratel tem uma imagem saudável no mercado", lembra Russo. A empresa-espelho de telefonia de longa distância mantém segredo sobre sua estratégia.
"O que existe são conjecturas", afirmou Russo. Entre elas, a de que a empresa deve oferecer serviço de transmissão de dados e voz nos grandes centros. A empresa ainda tem de resolver também como será a saída da Sprint do consórcio controlador da Intelig, formado também pela National Grid e a France Telecom. A empresa vai ter de deixar a associação porque, no exterior, se fundiu com a MCI, proprietária da Embratel, sua concorrente. (AE)