Subiu para onze o número de índios ava-guarani infectados pela malária na Reserva de Ocoí, em São Miguel do Iguaçu, a 60 quilômetros de Foz do Iguaçu. Quatro adultos e sete crianças, com idade entre 7 e 14 anos, contraíram a doença, possivelmente de uma índia que viajou a uma reserva no Paraguai. Eles estão recebendo assistência médica da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Fundação Nacional de Saúde (FNS). O maior perigo agora são os poços d’água abertos em 1982, após a delimitação da reserva às margens do recém-formado reservatório da usina de Itaipu. Essas cisternas tornaram-se locais propícios para a procriação do mosquito transmissor da malária. O cacique José Duarte de Souza teme que esses poços abandonados possam favorecer cada vez mais a proliferação do mosquito, comum na região.
Os avá-guarani foram os primeiros habitantes da região que hoje compreende o Oeste do Paraná e o Leste do Paraguai. Desde a formação do Lago de Itaipu e o assentamento na Reserva de Ocoí, há 18 anos, muitos dos que moravam no país vizinho cruzaram a fronteira para viver no lado brasileiro. É provável que eles tenham trazido a doença para os parentes que vivem no Brasil. Nenhum deles, no entanto, corre risco.
Com a migração, a comunidade em Ocoí subiu de pouco mais de 20 famílias em 1982 para 103 atualmente. As casas de pau-a-pique são tão precárias que não protege os moradores das intempéries. Para sobreviver, cultivam lavouras de milho, mandioca, feijão, arroz, batata, amendoim, entre outras. Muitos deles ainda têm de trabalhar como bóias-frias nas lavouras da região para garantir a subsistência da aldeia.

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