Chefes militares duvidaram de estratégia para Kosovo
Washington, 05 (AE-REUTERS) - Os principais chefes militares dos Estados Unidos expressaram profundas reservas em relação à estratégia da administração Clintion para Kosovo semanas antes de a Otan dar início aos ataques aéreos contra a Iugoslávia, informou hoje (05) o diário Washington Post.
Militares de quatro estrelas do Pentágono advertiram ao governo do presidente Bill Clinton que os bombardeios por si só não alcançariam suas metas políticas em Kosovo, escreveu o jornal citando fontes próximas à cúpula militar.
"Não acho que alguém sentiu que houve um tocante argumento de que tudo isso era em nosso interesse nacional", comentou um oficial de alta patente consultado pelo Post.
Em reuniões a portas fechadas, os chefes militares desafiaram a "teoria do dominó" apresentada pela secretária de Estado Madeleine Albright, que advertiu que outros países da região dos Bálcãs poderiam ser desestabilizados se não fosse parada a agressão sérvia contra os kosovares albaneses.
No fim, os chefes militares concordaram em apoiar os ataques aéreos, mas, 12 dias depois do início da campanha da Otan, eles continuam céticos de que apenas os bombardeios serão suficientes para se alcançar o objetivo político de deter a violência na província sérvia e obrigar o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, a sentar à mesa de negociações.
Enquanto os militares mantiveram-se cautelosos na hora de recomendar o uso de tropas terrestres, eles sublinharam que as forças enviadas à região teriam de ser substanciais.
O Post explicou que seu artigo foi baseado em conversas com vários funcionários familiarizados com a posição os chefes militares, mas não os identificou.
Os comandantes sugeriram o emprego de outros meios não militares para deter a violência em Kosovo, pedindo pelo uso mais agressivo de sanções econômica ou o indiciamento de Milosevic por crimes de guerra.
Os chefes militares também estariam frustrados com os fracos resultados da campanha aérea da Otan, pelos quais eles responsabilizam o mau tempo e os problemas de se conduzir uma guerra por consenso entre os 19 membros da Otan.





