Chefes da PM e do Gabinete Militar do PI pedem demissão
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quinta-feira, 07 de outubro de 1999
Por Cláudio Barros (especial para a AE) 
Teresina, 08 (AE)- O comandante da Polícia Militar do Piauí, coronel Valdílio Falcão, e o irmão dele, o também coronel Odiwal Falcão, chefe do Gabinete Militar, pediram demissão na tarde de hoje. O pedido foi feito após reunião de mais de três horas com o governador Francisco Moraes Souza (PMDB), o Mão Santa, no Palácio de Karnak, sede do governo do Piauí. Os dois coronéis são citados no dossiê sobre crime organizado no Estado. Sobre eles, pesam suspeitas de enriquecimento ilícito e uso de notas fiscais frias para justificar despesas não-realizadas.
Na carta que entregaram ao governador, os irmãos Falcão, que dominavam a cúpula da PM, alegam "razões de ordem pessoal" para deixar os cargos que ocupavam. Entretanto, os dois foram pressionados por oficiais da polícia e deputados estaduais da base de apoio ao governador.
No Comando da Polícia Militar, vai ficar o subcomandante
coronel Zélio Vilanova, licenciado há 20 dias por causa de uma operação para pôr cinco pontes de safena. O Gabinete Militar será comandado pelo coronel José Lucimar de Oliveira.
A demissão do comandante da PM tranquiliza o presidente da secção piauiense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Nelson Costa. Desde quarta-feira (06), ele está com a mulher e os filhos em Brasília. Ele recebeu telefonemas anônimos com ameaças de morte e de atentado a bomba na sede da Ordem.
O coronel de reserva Viriato Correia Lima, apontado como chefe do crime organizado, marcou uma entrevista coletiva para as 10 horas da manhã de hoje. Entretanto, ele frustrou a expectativa dos jornalistas ao informar, pelo porta-voz da PM, que não falaria, atendendo a recomendações médicas. Lima é cardíaco e tem problemas renais. O advogado de Lima, Ezequiel Miranda, anunciou que vai tomar medidas para evitar a prisão preventiva do cliente. O pedido de prisão preventiva do coronel e de outros envolvidos no crime organizado no Piauí vai ser feito pela Procuradoria-Geral da República, que contará com mais três procuradores vindos de Brasília. A Procuradoria-Geral de Justiça do Piauí também vai pedir prisão preventiva de suspeitos de ligações com o crime organizado.


