Chefe paramilitar mostra o rosto e pede anistia2/Mar, 15:19 Bogotá, 02 (AE-AP) - O lendário chefe paramilitar colombiano Carlos Castaño retirou o manto de mistério que rodeava sua imagem, mostrou seu rosto e fez exigências para que o governo outorgue indultos, anistia e reconhecimento político aos combatentes que desistirem das armas depois da assinatura da paz com as guerrilhas. Em uma entrevista concedida ontem (01) à noite à rede Caracol Castaño permitiu pela primeira vez que uma câmera de televisão mostrasse seu rosto, oculto durante anos diante do temor de ser identificado pela guerrilha, seu inimigo histórico, que, segundo a lenda, dizimou sua família. Sentado em uma poltrona, posta em um grande corredor de uma casa cuja localização exata não fora revelada, Castaño - um homem com menos de 40 anos, branco e de cabelos pretos cortados no estilo militar - apareceu sem seu tradicional traje de luta. Ele, entretanto, não disse o motivo que o levou a mostrar seu rosto. O chefe paramilitar - cuja voz rouca já havia sido ouvida em emissoras de rádio locais - admitiu a crueldade das ações de suas unidades, mas disse que eram excessos próprios do conflito. Ele disse que o seu grupo mantém frequentes combates com as forças militares. "Como organização armada não temos nada que agradecer às forças militares, nem ai Exército nem à polícia... Não tenho amigos generais", afirmou. Castaño insistiu que a maioria de suas vítimas é formada por rebeldes, que, sem uniforme, se passam por camponeses. "Para nosso grupo, os guerrilheiros são objetivo militar, estejam em trajes civis ou de uniforme", afirmou. O temível comandante paramilitar - cujas unidades são acusadas por autoridades como responsáveis por centenas de mortes cruéis - disse ainda que cerca de 70% de seu financiamento são provenientes do narcotráfico, em troca da proteção do cultivo e processamento de drogas, embora tenha assegurado que suas unidades não manejam laboratórios nem exportam drogas. Castaño assegurou também que caso a paz seja assinada, sua organização entregaria 11.200 homens em armas. "Uma vez que não exista a guerrilha, a autodefesa (paramilitares) tem que desaparecer imediatamente. De que maneira? Simplesmente pelo reconhecimento por parte do governo de nosso status político (...)".

mockup