Dili, 20 (AE-AP) - O comandante das Forças Armadas da Indonésia voou hoje para o Timor Leste dias depois dos recentes ataques comandados pelas milícias pró-Indonésia, nos quais pelo menos 20 pessoas morreram.
O general Wirano saiu do aeroporto e foi direto para a casa do comandante das Forças Armadas do Timor Leste, coronel Tono Suratman, para discutir os confrontos na ex-colônia portuguesa. A Indonésia invadiu o Timor Leste em 1975, desencadeando uma guerra separatista e abuso dos direitos humanos.
A violência entre partidários e opositores da independência aumentou desde que a Indonésia reverteu sua política no início deste ano dizendo que sairia do Timor se os timorenses rejeitassem a proposta de autonomia.
Conversações entre a Indonésia e Portugal, mediadas pelos Estados Unidos, estão agendadas para o final desta semana em Nova York para finalizar detalhes da autonomia antes do referendo de julho, no qual se vota a proposta de autonomia.
Os milicianos pró-Indonésia pediram o cancelamento do referendo, alegando que a violência o coloca em risco. Na semana passada, milicianos atacaram simpatizantes separatistas na capital do Timor Leste, Dili, com pouca intervenção das forças de segurança.
Grupos pró-independência acusam o Exército de armar e treinar grupos de milícias numa tentativa de desestabilizar o processo de paz mediado pelas Nações Unidas. O Exército alega que treinou alguns civis para que pudessem atuar como auxiliares neutros da força da polícia.
Cerca de 40 pessoas saíram de suas casas durante os confrontos do fim de semana e esconderam-se na residência do bispo Carlos Belo, que goza de relativa segurança. "Não podemos voltar para casa, eles vão nos matar",disse uma delas.
Um estudante e um policial foram mortos hoje num confronto entre forças de segurança e manifestantes separatistas na província de Aceh, noroeste da Indonésia. Três estudantes ficaram feridos e seis foram presos no confronto, que começou quando manifestantes atiraram num carro da polícia.

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