Chefe do Exército indonésio é nomeado vice-presidente
Jacarta, 13 (AE-AP) - O presidente da Indonésia B.J. Habibie escolheu hoje o chefe do Exército como vice-presidente em sua chapa, admitindo que precisava de apoio das poderosas forças armadas para governar o país em crise.
Se o general Wiranto aceitar a nomeação, é certo que irá impulsionar as poucas chances de Habibie obter a presidência nas eleições de 20 de outubro, onde votam os 700 membros da Assembléia Consultiva do Povo, que inclui 38 cadeiras controladas pelos militares.
"Precisamos de uma boa cooperação com os militares. Por isso quero ter um militar como vice na minha chapa", disse Habibie no Palácio Merdeka de Jacarta.
Habibie também citou as origens de Wiranto como fato preponderante nesta escolha. Wiranto, de 52 anos, é da ilha de Java, local do maior grupo étnico da Indonésia. Habibie, de 63 anos, é civil, e vem da ilha de Sulawesi, muito menor.
Akbar Tandjung, líder do partido de Habibie, o Partido Golkar, disse que a direção do partido deu a Habibie o poder de escolher seu próprio candidato de uma lista com quatro opções.
Wiranto encontrou-se com Habibie segunda-feira à noite, mas recusou-se a fazer comentários. Assim como muitos indonésios
Wiranto usa apenas um nome.
O general quatro estrelas emergiu como uma das figuras mais poderosas desde a renúncia do predecessor de Habibie em maio de 1998, o presidente autoritário Suharto.
Naquela época, Wiranto apoiou Habibie durante várias crises, protestos e confrontos.
Vários partidos estão sondando Wiranto para o cargo de vice-presidente, e fontes políticas dizem que é evidente que o general tem altas ambições.
Wiranto é comandante militar e ministro da Defesa num país onde as Forças Armadas tradicionalmente desempenham um papel importante da condução do país.
Assim como Habibie, Wiranto também foi um aliado próximo de Suharto, que governou a Indonésia sem tolerar opositores durante 32 anos.
Wiranto, soldado de carreira, construiu sua reputação como moderado desde que se tornou chefe do Exército em 1998, quando apoiou a campanha de Habibie para introduzir mais democracia na Indonésia e reformar o próprio Exército.
Ele tem sido criticado pelas pesadas reações do Exército diante de protestos e dissidentes. Em novembro de 1998, os soldados mataram pelo menos 16 estudantes durante um comício contrário ao governo no centro de Jacarta.
O Exército também tem sido criticado por atrocidades e desrespeito aos direitos humanos contra os separatistas da província de Aceh e pelo apoio às milícias que devastaram o território do Timor Leste.
Muitos dos militares desaprovam a forma pela qual Habibie conduziu a crise do Timor Leste. As tropas foram obrigadas a retirar-se em favor das forças de paz internacional.
Os outros candidatos à presidência são Megawati Sukarnoputri, a filha do presidente fundador da Indonésia, Sukarno; e Abdurrahman Wahid, que lidera a maior organização islâmica do país. Cerca de 90% dos 210 milhões de indonésios são muçulmanos, o que faz da Indonésia a nação muçulmana mais populosa do mundo.
Habibie deve fazer amanhã um discurso de "responsabilidade", detalhando suas conquistas e fracassos. A assembléia pode rejeitar o conteúdo do discurso. Se isso ocorrer
Habibie não teria muitas opções além de retirar sua candidatura para a presidência.
A popularidade de Habibie afundou devido a seus estreitos laços com Suharto e por escândalos de corrupção bancária envolvendo membros próximos de seu próprio círculo.





