Botucatu, SP, 28 (AE) - A professora Dorcas Maglarelli Luiz, acusada de ser funcionária "fantasma" do gabinete da vereadora Maeli Vergniano (sem partido), sua cunhada, na Câmara de São Paulo, ganha cerca de R$ 800,00 por mês para trabalhar cinco horas por dia em uma escola de Botucatu, no interior do Estado.
Dorcas dá aulas para a 4ª série do 1º grau da Escola de Ensino Fundamental Martinho Nogueira, no bairro Boa Vista, próxima do centro da cidade, que tem 120 mil habitantes. Segundo a diretora da escola, Maria Beatriz de Oliveira e Souza, a professora Dorcas comparece assiduamente ao trabalho e é considerada boa funcionária. "Como professora em nosso estabelecimento, não há nada que a desabone", afirmou.
Na Câmara da capital ela recebe R$ 7,5 mil por mês para exercer a função de chefe de gabinete, mas é quase impossível que esteja comparecendo ao trabalho. O livro-ponto da escola de Botucatu, que tem 800 alunos, registra a presença da professora cinco dias por semana - de segunda a sexta, trabalhando das 12h30 às 17h30. A cidade fica a 230 quilômetros de São Paulo. De carro, a viagem de ida e volta exige pelo menos quatro horas e meia, só de estrada. Da jornada semanal de 30 horas da professora, cinco são de atividades extra-classe, mas geralmente realizadas na própria escola.
Segundo a Delegacia de Ensino de Botucatu, a professora Dorcas foi efetivada em 1993 como Professora de Ensino Básico (PEB 1), habilitada para lecionar da 1ª à 4ª série do antigo primário. Em 92, ela já lecionara como professora substituta.
Dorcas é casada com o irmão de Maeli, Josué Maglarelli, de quem herdou o cargo na Câmara de São Paulo. Em Botucatu, a notícia de que recebe R$ 7,5 mil por mês pegou de surpresa os que a conhecem. Segundo outros professores, ela tem uma vida relativamente modesta. "Tudo o que sabemos é o que saiu na imprensa", disse a diretoria Maria Beatriz. A professora nega-se a dar entrevistas. Ela mandou dizer à reportagem que só falará na Justiça, caso venha a ser convocada.

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