Moscou, 04 (AE-AP) - A mais importante autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) para direitos humanos pediu nesta terça-feira (04) à Rússia a criação de um órgão independente de investigação, dizendo-se "chocada e aterrorizada" pelas histórias de assassinatos e crueldades cometidos pelas forças russas na Chechênia.
A irlandesa Mary Robinson, chefe do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, disse que sua proposta foi recebida com interesse pelo ministro de Relações Exteriores Igor Ivanov. Segundo Robinson, o chanceler russo pediu a ela que mostrasse um modelo para a criação de tal corpo.
Mas Ivanov também alertou que a comunidade internacional não deveria considerar intrometer-se em uma questão classificada pelo governo russo como um problema interno. "Nunca permitiremos que este problema seja utilizado como pretexto para interferência nos assuntos domésticos da Rússia", declarou.
A Rússia está sob crescente pressão internacional para a investigação de acusações de que suas tropas na Chechênia executaram civis, torturam detidos e participaram de estupros e pilhagens.
O Conselho Europeu, principal órgão de direitos humanos do continente, deverá votar esta semana se suspenderá a Rússia pela controvertida Guerra da Chechênia. Tal suspensão poderia ser um golpe contra a imagem da Rússia e contra suas relações com o Ocidente.
Em Genebra, a Comissão Internacional de Juristas pediu nesta terça-feira a criação de um tribunal internacional para investigar supostos abusos dos direitos humanos na Chechênia.
O influente grupo de juristas condenou o tratamento dispensado à alta comissária da ONU para Direitos Humanos. O painel disse "condenar o tratamento e a linguagem utilizados pelas autoridades russas" durante a visita de Mary Robinson ao país.

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