Londrina - O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial de Londrina, Márcio Amaro, declarou ontem ser contrário ao mutirão proposto pela Secretaria Estadual de Justiça (Seju). A hipótese foi apresentada como alternativa para tentar desafogar o sistema carcerário de Londrina e região, considerado o mais superlotado do Paraná.
Levantamento da Seju mostra que as delegacias e presídios da região estão com 1.570 presos acima da capacidade original. O governador Beto Richa (PSDB) determinou prioridade na resolução do problema e um pacote de medidas deve ser lançado em breve. Além do mutirão carcerário, que pode liberar detentos com penas vencidas, por exemplo, também serão feitas transferências de internos com famílias residentes em outras cidades e mudanças administrativas em delegacias.
''Colocar em liberdade só pelo fato das cadeias estarem superlotadas, não vejo com bons olhos, porque essas pessoas ainda podem colocar em risco a sociedade. Quem vai pagar a conta é a sociedade, mesmo que sejam criminosos que cometeram crimes de menor potencial'', avaliou Amaro.
A região tem apenas um presídio para abrigar presos provisórios, que ainda não foram julgados pela Justiça. A Casa de Custódia de Londrina (CCL) tem apenas 288 vagas, mas abriga cerca de 340 internos.
Sem vagas no sistema a resolução 250/2012, assinada em julho do ano passado pela secretária de Justiça, Maria Tereza Uille Gomes, deixa de ser cumprida. O documento garantia a transferência semanal de 15 presos dos distritos de Londrina para a CCL.
Um levantamento feito pela 10 SDP mostra que 76 presos deixaram de ser transferidos no último semestre do 5º Distrito Policial para a CCL. No entanto, 10 homens foram transferidos ontem. O 5º DP ficou com 85 detentos, mais que o triplo da capacidade. O 4º DP, também projetado para 24 presos, estava com 85 ontem.
A Seju promete investir R$ 160 milhões com as construções de novos presídios no Paraná. Londrina seria contemplada com uma unidade com capacidade para 560 presos.

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