Londrina - A zeladora Roseli Paulino, que é viúva e mora com três filhos, já põe em prática, no dia a dia, os conselhos da nutricionista Beatriz Ulate. Para baratear os gastos com alimentação, ela sempre tem muitas frutas e verduras em casa. "E quando um produto fica muito caro, eu procuro uma outra opção. Por exemplo, se não dá para comprar alface, compro almeirão, e assim por diante. Além disso, estou sempre atrás de promoções", revela a experiente dona de casa. O único produto entre os que sofreram grande alteração de preço nos últimos tempos e que Roseli não conseguiu um substituto à altura foi o feijão.
No carrinho de compras do motorista Carlos Roberto Barbieri também predominam os itens do setor de hortifrutigranjeiros. "Em casa preferimos tudo mais natural", revela, contando que dificilmente compra verduras e legumes já embalados, porque quase sempre são mais caros. "Fazemos muita coisa em casa, em vez de comprar pronto. Só o pão que não tem jeito, sai mais barato comprar pronto", atesta.
A enfermeira Rosária Mestre Okabayashi segue a mesma receita, e revela que quando não dá para substituir algum alimento mais caro, procura pensar que é melhor gastar um pouco mais com comida do que com remédios, mais tarde. Esta forma de pensar é compartilhada pelo chef e professor das disciplinas Introdução à Gastronomia, Cozinha Brasileira e Cozinha Francesa, do curso de Gastronomia da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Marcelo Sokolowski. "Os valores que economizamos com alimentos mais baratos e menos saudáveis certamente serão gastos lá na frente, com medicamentos", analisa.
Para o professor, um dos fatores que nos levam a ter mais despesas com comida é a falta de um contato próximo com os produtores da região. Diante da impossibilidade de comprar diretamente na horta, a opção mais barata, admite ele, são os supermercados, que negociam os produtos em grandes quantidades. "O problema é que os supermercados sempre garantem o tempo máximo de prateleira. O melhor é fugir para feiras e quitandas, onde os preços tendem a ser um pouco maiores, mas os produtos são mais frescos e saudáveis."
Sokolowski argumenta que ao mesmo tempo em que há o desejo por parte das pessoas de se alimentar melhor, há uma luta com a indústria alimentícia, uma das mais lucrativas do mundo. "Só nos Estados Unidos são lançados 17 mil novos produtos industrializados por ano. É preciso ter a dimensão dessa luta e, na medida do possível, resgatar antigos hábitos ligados à alimentação, além de tentar desde cedo conscientizar as crianças, porque o modelo baseado no fast food cresce a cada dia. É preciso ficar muito atento", alerta o professor.(S.L.)

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