Chechenos põem fogo em poços de petróleo
Grozny, 02 (AE-AP) - O alto comando militar da Rússia está reforçando a segurança nas regiões da república separatista russa da Chechênia sob controle das tropas federais em razão do aumento das ações das forças chechenos nos últimos dias.
Nesta quinta-feira (02), dez poços petrolíferos estavam em chamas na região e especialistas em debelar esse tipo de incêndio eram esperados lá, informou a agência russa Itar-Tass.
Os militares russos acusam os combatentes chechenos de atear fogo à infra-estrutura local à medida que as tropas de Moscou avançam.
O ministro da Defesa, marechal Igor Sergeyev, declarou que as medidas de controle do "território liberado" incluirão operações para perseguir os rebeldes e intensificação do serviço de escuta da comunicação entre eles por rádio.
A maioria dos ataques ocorreu nas cidades de Goragorski e Naurskaya, ambas no norte, território há mais de um mês em poder dos russos.
Ao mesmo tempo que se vêem às voltas com atentados nos lugares sob seu controle, os militares russos estão sofrendo maior número de baixas nas áreas-chave que tentam conquistar: Urus-Martan, Argun e Grozny.
As tropas federais têm bombardeado duramente essas cidades nas últimas semanas, mas, para tomá-las, terão de enfrentar as forças chechenas ali entrincheiradas.
A agência de informações militares russa AVN, com sede em Moscou, informou hoje que de 35 a 50 militares russos morreram e mais de 90 ficaram feridos nos combates dos últimos dias pelo controle de Argun. Os guerrilheiros chechenos falam em 150 russos mortos.
A tomada de Argun e Urus-Martan - ambas num raio de 8 a 20 quilômetros de Grozny - é essencial para consolidar o cerco à capital da Chechênia.
Entretanto, fontes do alto comando da Rússia no norte do Cáucaso desmentiram a informação da AVN e disseram que, pelo contrário, tinham matado 200 rebeldes e não haviam perdido "nenhum soldado". Altos oficiais russos garantiam ter bloqueado Argun e estar prestes a iniciar a expulsão dos rebeldes amanhã.
Vários militares do alto escalão reconheceram à agência russa Interfax esta semana que os chechenos têm imposto dura resistência ao avanço das tropas federais.
Os rebeldes possuem poucos tanques e veículos blindados, mas grande quantidade de sistemas antiaéreos, morteiros, lançadores de granadas e outras armas de pequeno porte. Cerca de 5.000 combatentes chechenos estariam em Grozny, de acordo com Moscou.
Mais de 230.000 pessoas fugiram da Chechênia depois que as tropas federais ingressaram na região, em outubro. A maioria vive em acampamentos precários na vizinha república russa da Ingushétia.
O alto comissário de Direitos Humanos do Conselho da Europa, Alvaro Gil-Robles, retornou hoje de uma visita à Ingushétia, bem como à região chechena sob controle russo, e concedeu entrevista coletiva em Moscou na qual exortou as autoridades a interromper a guerra. "É óbvio que há na região um problema de desrespeito aos direitos humanos. Existem 200.000 refugiados, muito sofrimento e pânico", declarou Gil-Robles.
Apesar das pressões internacionais, o chanceler Igor Ivanov mostrou-se irritado quando indagado por repórteres sobre a possível data para a visita do presidente da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) à Chechênia. Putin respondeu que a Rússia decidirá sozinha qual será o momento ideal.
O governo russo alega que está travando uma guerra contra os rebeldes islâmicos que invadiram a república russa do Daguestão em agosto e setembro, vindos da Chechênia. Além disso, acusa-os de ter realizado atentados que mataram cerca de 300 pessoas na Rússia nesses mesmos meses.





