Caracas, 15 (AE-ANSA) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, negou categoricamente hoje (15) que seu governo apoie a guerrilha esquerdista da Colômbia, mas confirmou intenção de manter encontros, em território venezuelano, com as lideranças rebeldes colombianas.
"Não estamos apoiando a guerrilha colombiana, contudo, somos forçados a defender a soberania venezuelana e garantir a segurança de nosso território", justificou Chávez, em entrevista após pronunciamento por uma rede de emissoras de rádio.
Acusado pelas autoridades de Bogotá de "tentativa de imiscuir-se em assuntos internos da Colômbia", o presidente venezuelano classificou de "impossível" uma reunião com as lideranças rebeldes em território colombiano. "Não teríamos autorização para tanto, razão pela qual os chefes guerrilheiros serão recebidos aqui."
Por sua vez, o chanceler venezuelano, José Vicente Rangel, tentou tranquilizar as autoridades colombianas e também a comunidade internacional. "Não estamos manipulando o problema da violência na Colômbia, com o propósito de interferir nos assuntos internos daquele país", garantiu.
Segundo o chanceler colombiano, Chávez vai encontrar-se com algum representante da cúpula das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "Não creio que Tirofijo - como é conhecido na região Manuel Marulanda, comandante das Farc - abandone seu reduto para vir aqui, por motivo de segurança."
O chanceler venezuelano tentou desfazer outros temores do presidente colombiano, Andrés Pastrana, como a assinatura de um pacto de não agressão entre a Venezuela e as Farc, ou apoio a uma das principais aspirações dos rebeldes, a obtenção de um estatuto de beligerância.
Rangel negou que as relações entre Caracas e Bogotá estejam enveredando por um mau caminho. "Seria muito grave que nossas relações fossem afetadas pelo problema da violência."
Na Cidade do Panamá, onde chegou para participar dos 85 anos da abertura do canal, o presidente Pastrana, não comentou as declarações do colega venezuelano. Disse apenas que está otimista quanto às possibilidades de iniciar o diálogo com os rebeldes para pôr fim em 40 anos de guerra.
Em Buenos Aires, o porta-voz das Farc, Javier Calderón, criticou o que classificou de internacionalização do conflito colombiano. Ele referiu-se à existência de 300 assessores militares americanos no país, admitida por Washington. "Se isso não é uma intervenção, então não sabemos o que é uma intervenção", ressaltou. "Os EUA não entrarão na Colombia com seus marines, usarão seus mísseis humanitários e exércitos latino-americanos que servirão de carne de canhão."
Em Bogotá, as autoridades colombianas acham que o assassinato do jornalista e humorista Jaime Garzón na sexta-feira é o início de uma nova onda de violência. Segundo o deputado Antonio Navarro Wolff, do M-19, começou a operar no país um "novo esquadrão da morte ultrafascista".

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