Caracas, 11 (AE-AP) - Em um feito sem precedentes na história da Venezuela, o presidente Hugo Chávez prestou hoje (11) novo juramento como mandatário, desta vez diante da recém-formada Assembléia Constituinte, e denunciou uma campanha internacional contra o país.
No momento de prestar juramento, Chávez disse: "Juro diante de Deus e da soberana Assembléia Constituinte que não darei descanso a meu corpo até que juntos não tenhamos enterrado de verdade esse velho tempo, esta Quarta República, e tenhamos dado luz à nova pátria... Neste juramento está toda a minha vida pelo futuro da Venezuela".
Durante seu discurso, o mandatário expressou ainda que "se há 200 dias jurei sobre uma Constituição moribunda, hoje estou jurando diante de uma parteira que facilitará o nascimento histórico de uma nova Venezuela".
Chávez defendeu seu empenho pelo processo constituinte durante seus seis meses de governo, antes de afirmar: "Creio que cumpri o juramento que fiz há 200 dias diante da Constituição moribunda. Agora, comprometo-me em trabalhar com maior dedicação para facilitar a chegada a uma situação onde impere a justiça e o desenvolvimento econômico, social e político".
Em 9 de agosto, a Assembléia decidiu ratificar o mandatário em seu cargo logo depois de Chávez ter colocado seu posto à disposição dos constituintes.
O primeiro juramento prestado por Chávez como presidente, em 2 de fevereiro - o dia que assumiu o poder -, gerou grande polêmica no país depois que o presidente afirmou estar jurando diante de uma Constituição "moribunda".
Alguns críticos do governo temem que Chávez, que encabeçou uma tentativa de golpe de Estado em 1992, dirija o país a um regime ditatorial para tentar fortalecer a legitimidade da Assembléia Constituinte sobre o resto dos poderes constituídos.
Os mesmos críticos asseguraram que a ratificação do presidente feita pela Assembléia não passou de um ato simbólico, posto que 92% do corpo é formado por membros do Polo Patriótico - a coalizão política que apoia o governo.
Chávez também denunciou aos constituintes uma suposta campanha internacional contra a Venezuela e lhes pediu para que enviem delegações para o mundo para explicar o processo que está sendo desenvolvido no país.
"Iniciou-se uma campanha (mundial) que compara a Venezuela com um mundo de selvagens. Que o presidente Chávez seria uma espécie de Mussolini e que tem 131 subordinados absolutos. Denuncio uma campanha internacional selvagem contra a Venezuela. Não podemos aceitar que tratem os venezuelanos com falta respeito. Vou sair em defesa do povo", disse o presidente.
Chávez anunciou que criará um escritório presidencial para enfrentar tal campanha e apelará à Organização das Nações Unidas para discutir o caso.

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