Chávez interessado em pacificação da Colômbia e em reunião com guerrilha
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segunda-feira, 30 de agosto de 1999
Por Juan Zamorano 
Panamá, 31 (AE-AP) - O presidente venezuelano Hugo Chávez disse nesta terça-feira (31) desejar "o caminho da paz" para a Colômbia e discordou que uma possível reunião sua com a guerrilha em território venezuelano seria uma intervenção nos assuntos internos da Colômbia.
Segundo o presidente, o conflito guerrilheiro colombiano afeta a soberania venezuelana e a tranquilidade e o desenvolvimento da fronteira entre ambos os países, motivo pelo qual ele se reuniria com prazer com líderes guerrilheiros se isto contribuir com a paz. "Estou propondo o caminho da paz na Colômbia", expressou Chávez em entrevista coletiva após sua chegada para assistir amanhã à cerimônia de transmissão de cargo no Panamá. "Temos falado em todos os locais do continente. Basta de guerra na Colômbia!"
"Queremos a paz para a Colômbia e creio ser uma obrigação para nós, irmãos latino-americanos, bolivarianos, buscar a paz e integração do povo colombiano", destacou.
Chávez informou que hoje à tarde se reunirá com a presidente eleita Mireya Moscoso para tratar o conflito colombiano, que também afeta regiões panamenhas fronteiriças com a Colômbia.
"Esta é uma das mais antigas guerras do mundo. Uma guerra de guerrilhas que está afetando, no caso particular da Venezuela, a segurança, a defesa e o desenvolvimento da fronteira com sequestros. É um estado de caos", disse Chávez.
Ele acrescentou ser contra as vozes que seguem pedindo para "militarizar mais o processo, contra as vozes que apontam à intervenção estrangeira na Colômbia. Nós queremos estreitar os laços com a Colômbia e, sem pretender intervir em seus assuntos, ajudar a buscar a paz".
Chávez irritou Bogotá por sua intenção de reunir-se com os chefes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O presidente disse que seria uma interferência "se estivesse na Colômbia falando com as Farc". Mas agregou que pode fazê-lo em território venezuelano porque é "uma decisão soberana de meu governo".
Ele recordou que as Farc se reuniram com delegados do governo colombiano em Caracas e que conversou sobre o conflito em várias ocasiões com seu colega Andrés Pastrana. "Não terei ingerência no conflito interno colombiano", reiterou. "Mas ante solicitação do comando das Farc de conversar comigo, tenho o direito e a soberania de conversar com eles se assim decidirem."


