Chávez garante compromisso com a democracia, diz FHC
Manaus, 4 (AE) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou hoje ao presidente Fernando Henrique Cardoso que todos os seus passos na condução da reforma do Estado venezuelano serão dados "dentro dos princípios democráticos". De acordo com Fernando Henrique, que falou rapidamente à imprensa sobre o encontro com Chávez, em Manaus, o presidente venezuelano explicou "com detalhes" todo o processo na condução da radical mudança institucional sob seu comando.
"O presidente (Chávez) assegurou que todas as normas pactuadas estão sendo seguidas, o que para nós, brasileiros, é muito importante, esse respeito à democracia e à paz", afirmou Fernando Henrique. Ainda segundo o presidente brasileiro, foram "passados em revista" os principais problemas entre Brasil e Venezuela e foram definidas muitas "coincidências e interesses comuns entre os dois países".
Chávez assegurou a Fernando Henrique que não há nenhum processo mais democrático "de varrer a corruptocracia" do que o que está ocorrendo em seu país. "Temos uma Assembléia Constituinte por referendo popular e teremos uma nova Constituição, em novembro, que será votada também pelo povo", afirmou.
Colômbia - Fernando Henrique não comentou se Chávez pediu seu apoio à iniciativa do presidente venezuelano de mediar a crise colombiana, à revelia do desejo do presidente Andrés Pastrana. Chávez, contudo, em entrevista coletiva após o encontro, fez questão de frisar que o assunto foi abordado. "Mas não pedi que o Brasil dê apoio à minha iniciativa, pois cabe à Colômbia pedir isso", afirmou. "Expliquei que estou fazendo isso pela paz, para ajudar nas conversações do presidente Pastrana com os guerrilheiros da Farc (Forças Armadas Revolucionárias)".
Chávez deu mais detalhes sobre a conversa com o presidente brasileiro no âmbito diplomático-econômico. O presidente venezuelano listou que foram discutidos convênios entre a Petrobrás e sua equivalente venezuelana, a Pedevesa; a extensão de rede da hidrelétrica de Guri, no sul da Venezuela, para Boa Vista (RO); criação de infraestrutura de alfândega, segurança e saúde na fronteira Brasil-Venezuela da BR 174; projetos na área de ciência e tecnologia e navegação; e exportação de fertilizantes agrícolas. Encontro - Os dois presidentes tiveram um encontro de quase três horas no Hotel Tropical, hotel de luxo em Manaus. Foi a quarta visita do presidente ao Brasil neste ano. Nos 30 minutos finais ao encontro, os dois presidentes almoçaram comidas regionais: um peixe, o tucunaré, assado com arroz e farofa, tendo como sobremesa um pudim de uma fruta amazônica, o cupuaçu.
Depois do encontro, Chávez deu uma coletiva de quase uma hora num dos salões do hotel. Seu staff preparou o cenário: uma grande bandeira venezuela atrás do presidente, ladeado por dois oficiais da Marinha colombiana. O planejamento passou também pela usual visita de Chávez à praças que tenham nome e estátua de Simon Bolívar.
Em Manaus, a praça com o nome do ídolo explícito do presidente venezuelano fica no quilômetro zero da BR 174, que liga a capital amazonense a Caracas. Lá, Chavez deixou um buquê de flores do campo.
A equipe também cuidou do visual do presidente, que chegou com um terno marrom escuro para o encontro com Fernando Henrique, que usava um terno bege. Para a coletiva, Chavez trocou de roupa, repetindo a cor do terno do presidente brasileiro e colocando uma vistosa gravata laranja com detalhes em dourado. Sobre Fernando Henrique, Chavez fez questão de iniciar a entrevista dizendo ter "grande admiração". "É um amigo", afirmou.
Antes da coletiva, sua equipe distribuiu um material vasto com o "Plano de Transição Econômica 1999-2000", um colorido panfleto sobre os detalhes da instalação da Assembléia Nacional Constituinte e um perfil-currículo do presidente - onde é frisado que durante sua juventude ele se ocupou em conhecer "a fundo" a vida do libertador das Américas Simon Bolívar).Por Liege Albuquerque ATENÇÃO EDITOR: Esta retranca acrescenta informações, com novo texto.





