Chavéz assume na Venezuela prometendo convocar constituinte
Caracas, 02 (AE-REUTERS) - Com um discurso inflamado, cheio de palavras de efeito, o tenente-coronel da reserva Hugo Chávez, líder da tentativa de golpe de fevereiro de 1992, tomou posse hoje (02) da presidência da Venezuela prometendo convocar uma Assembléia Constituinte e recuperar a economia do país.
"Juro perante Deus, perante a pátria e perante meu povo, sob esta Constituição moribunda, fazer cumprir e impulsionar as transformações democráticas necessárias para que a república tenha uma Carta Magna adequada aos novos tempos", declarou Chávez, de 44 anos, durante o pronunciamento de posse.
Antes, numa entrevista coletiva, usou uma imagem forte para descrever a tarefa que tem pela frente: "A Venezuela é uma bomba- relógio e eu sou uma espécie de desativador. Se o desativador falha, a bomba pode explodir, por isso, não tenho o direito de falhar."
A cerimônia de posse, na sede do Congresso, foi aberta com a entrada dos chefes de Estado estrangeiros convidados, entre os quais, destacavam-se o presidente argentino, Carlos Menem, o cubano, Fidel Castro, e o colombiano, Andrés Pastrana.
Com ar triunfante, Chávez entrou no recinto minutos depois, apertou a mão de vários convidados e cumprimentou, com um gesto de cabeça, parlamentares opositores, como o atual senador e ex- presidente Carlos Andrés Pérez - a quem tentou depor na rebelião militar de 1992.
Momentos antes de prestar seu juramento, enquanto o presidente do Congresso, Luis Alfonso Dávila, pronunciava seu discurso, Chávez deixou-se flagrar pelas câmeras de TV de mãos unidas, rezando em silêncio. Ao lado, Rafael Caldera, que lhe transmitia o cargo, ouvia os discursos de cabeça baixa.
Chávez venceu a eleição presidencial em 6 de dezembro, com mais de 56% dos votos, depois de uma campanha caracterizada por discursos de tom populista.
Apoiado por uma coalizão de partidos de esquerda - que, segundo analistas, pouco participam de suas decisões políticas -, o ex- comandante de uma unidade de pára-quedistas do Exército prometeu liderar um "governo revolucionário" e "refundar a república".
Chávez fez menção à unidade latino-americana - ideal do libertador venezuelano Simón Bolívar, do qual é fervoroso admirador -, anunciando a intenção de acelerar a integração entre as comunidades econômicas do Pacto Andino e Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul).
"São tantas e tão grandes as nossas ambições, que temos incluir na próxima Constituição a possibilidade de reeleição para o presidente da república", deixou claro Chávez, nas entrevistas que concedeu antes e depois da cerimônia.
Como primeiro ato de sua administração, ele firmou um decreto ordenando ao Conselho Nacional de Eleições (instância máxima da Justiça eleitoral) que organize, no prazo de 60 a 90 dias, um plebiscito para referendar a convocação da Assembléia Constituinte.
Anunciou também que solicitaria ao Congresso a concessão de poderes especiais (por meio de um mecanismo constitucional conhecido como lei habilitante) para enfrentar as dificuldades econômicas do país em curto prazo e sob a Constituição vigente.
"Não temos tempo a perder; o governo que passo a dirigir começa a agir já", disse.
Chávez deixou o edifício do Congresso e caminhou cerca de um quilômetro, acompanhado por milhares de seguidores, até o Palácio de Miraflores, sede do governo. Lá, tomou o juramento dos ministros que o aguardavam.
Entre os principais nomes no Ministério de Chávez estão o titular das Relações Exteriores, o jornalista José Vicente Rangel, e o do Interior, o comunista Luis Luis Miquilena, de 81 anos.
Economicamente poderosa no fim da década de 70 e único membro não- árabe da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a Venezuela empobreceu drasticamente nos últimos anos, com milhões de habitantes vivendo abaixo da linha de pobreza, a mais alta taxa de mortalidade infantil do continente e 12% da população composta por desempregados.





