Havana (AE-AP) - A popularidade dos charutos cubanos aumentou recentemente entre os políticos, atores e homens de negócios norte-americanos - assim como entre um número cada vez maior de mulheres - que os adquirem apesar das proibições colocadas pelo embargo comercial a Cuba.
Esta tendência pode ser nova nos Estados Unidos, mas a história dos "havanos" começou há centenas de anos, na época do descobrimento da América, quando Cristóvão Colombo chegou à ilha e descobriu que seus aborígenes fumavam cachimbos repletos de folhas estranhas. Os espanhóis começaram também a fumar e pouco tempo depois inventaram o charuto quando torceram as folhas de uma planta de tabaco de modo que assumissem a forma de um cilindro largo, para não terem que usar cachimbos. No final do século XVI o tabaco já era cultivado em Cuba para sua exportação para a Europa.
A fabricação do charuto cubano continua sendo muito parecida com a que inventaram os espanhóis há cinco séculos. E agora, como antes, o melhor tabaco é o que se cultiva nas terras da zona conhecida como "Vuelta Abajo", na província de Pinar del Río. Ao invés de utilizar químicos, as plantas em alguns casos são cobertas com mosquiteiros para manter os insetos afastados e com panos porosos para protegê-las dos raios do sol. Quando as plantas amadurecem - um processo que demora de dois a quatro meses - as folhas verdes são recolhidas a mão e os especialistas selecionam as melhores para com elas elaborarem os Cohíbas, os Romeo y Julietas e os Partagás tão apreciados pelos fumantes do mundo inteiro.
Finalmente, as folhas são colocadas para secar em galpões especiais. Uma vez secas, são embaladas e levadas em caminhões para as diversas fábricas de charutos de Havana. Ali os empregados abrem os pacotes, fazem uma nova seleção de folhas e entregam as melhores aos torcedores. Os charutos são elaborados a mão por torcedores que ocupam fileiras de mesas na tabacaria. Eles devem deixar as folhas de melhor qualidade para a cobertura exterior do "havano".
As autoridades calculam que os 25 mil trabalhadores da indústria cubana do tabaco produziram este ano 200 milhões de charutos para a exportação. A cifra representa um aumento de 25% em relação ao total do ano passado. A Espanha continua sendo o principal mercado de exportação da indústria do tabaco cubana, que vende a empresas peninsulares cerca de 42 milhões de charutos por ano. O segundo é a França e o terceiro são os turistas que compram caixas de "havanos" quando visitam a ilha. Outros mercados importantes para os charutos são a Suíça, Grã-Bretanha e vários países asiáticos. O mercado potencial mais importante seria o dos Estados Unidos, mas este se encontra inacessível devido ao embargo comercial de Washington. Funcionários das tabacarias estatais calculam que a venda de "havanos" aos Estados Unidos poderia alcançar 50 ou 60 milhões de unidades anuais se Washington levantasse o embargo, que já dura três décadas.

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