As chances de a modelo Fernanda Vogel, 20, namorada do empresário João Paulo Diniz, e o piloto do helicóptero do grupo Pão de Açúcar Ronaldo Jorge Ribeiro, 47, serem encontrados vivos eram ‘‘mínimas’’, até a noite de ontem, segundo avaliação do 17º Grupamento de Bombeiros de Maresias, costa sul de São Sebastião, litoral norte de São Paulo. ‘‘A queda da temperatura corporal, o longo período dentro do mar e a baixa temperatura da água tornam cada vez menores as chances de encontrá-los com vida’’, disse o capitão Átila Gregório Ribeiro Pereira, comandante da operação de resgate.
Os dois estão desaparecidos desde as 18h45 de sexta-feira, quando o helicóptero que os levava caiu a cerca de três quilômetros da praia de Maresias. Além dos dois, a aeronave levava Diniz e o co-piloto Luís Roberto de Araújo Cintra, 35, que conseguiram nadar até a praia e estão fora de perigo.
Pereira diz que, além das condições adversas do mar, a queda da temperatura corporal abaixo de 35ºC faz com que a pessoa perca a resistência e o sentido dos órgãos. Ontem, foram mobilizados na operação de resgate 23 bombeiros e 45 homens da Marinha. Enquanto as embarcações prosseguem com a busca no mar, dois carros do Corpo de Bombeiros, com três homens em cada um, seguem patrulhando a costa. Ontem, pela manhã, a Marinha encontrou uma parte da fuselagem do helicóptero.
Às 17 horas, o helicóptero do Corpo de Bombeiros foi retirado da operação devido às condições de vôo, que ficaram ruins. Meia hora depois, os barcos e lanchas também abandonaram a operação, restando, apenas o navio dos Bombeiros. Segundo Pereira, já houve casos, no litoral norte, de pessoas que ficaram até 43 horas no mar e ainda foram resgatadas com vida.
Na opinião do capitão Pereira, a decisão dos quatro tripulantes de saírem nadando após a aeronave ter afundado foi acertada porque a temperatura era muito baixa. ‘‘Após a queda, João Paulo conseguia visualizar com precisão toda a costa. Possivelmente, e isso é comum nessas situações, ele imaginava estar muito mais próximo do que realmente estava’’, disse Pereira.
Para o capitão, o empresário avaliou que daria para chegar até a costa. ‘‘Ele tinha reais conhecimentos das suas condições físicas para fazer essa travessia. Ele fez o certo ao partir em busca de ajuda para os outros tripulantes, porque imaginou que assim o problema seria solucionado mais rápido.’’
O empresário João Paulo Diniz, 37, continua em estado de choque após a queda do helicóptero. Ele está em sua casa, em São Paulo, e não tem conversado nem com o pai, Abílio Diniz, presidente do Grupo Pão de Açúcar.
A mãe de Fernanda, a comissária de bordo Myriam Vogel, divulgou ontem nota oficial em que pedia às pessoas que se juntassem a ela para orar para que a sua filha seja encontrada com vida. ‘‘Agradeço todas as demonstrações de carinho e de solidariedade que venho recebendo e peço que se unam a mim nessa oração pela Fernanda’’, disse, em trecho da nota. Ela chegou sábado a Maresias e se hospedou em um hotel, de onde acompanha as buscas.

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