Jacarta, 15 (AE-AP) - Tropas de choque usaram gás lacrimogêneo e cassetetes para dispersar hoje (15) milhares de manifestantes antigovernistas enquanto aumentavam as críticas ao presidente indonésio, B.J. Habibie, minando suas chances de reter o cargo numa votação na próxima semana.
Cerca de 30 manifestantes foram hospitalizados e 10 policiais ficaram feridos em confrontos que fecharam o distrito comercial de Jacarta por horas.
Habibie franzia as sombrancelhas e tomava notas na mesa do legislativo nacional na noite de sexta-feira enquanto decepcionados membros da Assembléia Consultiva do Povo, de 700 cadeiras, criticavam seus 16 meses no poder.
O mais alto órgão legislativo da Indonésia irá eleger o próximo chefe de Estado do país na quarta-feira.
O resultado ainda é incerto. A quarta nação mais populosa do mundo está empenhada numa difícil transição para a democracia depois de décadas de regime autoritário sob o ex-presidente Suharto.
Suharto controlava com rédeas curtas a atividade política e a assembléia era nada mais que um órgão burocrático de sua ditadura de 32 anos. O debate aberto é uma experiência nova para a maioria dos indonésios.
Habibie, protegido de Suharto, é um dos três candidatos presidenciais. Os outros são Megawati Sukarnoputri, filha do presidente fundador do país, Sukarno, e Abdurrahman Wahid, do islâmico Partido do Despertar Nacional.
Habibie fez uma apaixonada defesa de seu trabalho para os legisladores num discurso sobre "responsabilidades" na noite de quinta-feira. Ele disse que introduziu a democracia e salvou a abalada economia da Indonésia.
Mas quando a assembléia retomou seus trabalhos na sexta-feira, um orador depois do outro atacou Habibie.
Nos próximos dias, os legisladores votarão se aceitam ou não o discurso de Habibie. Se ele for rejeitado, Habibie se verá forçado a retirar sua nomeação.
Mesmo seu partido, Golkar, que o indicou para a presidência, questionou a forma como ele lidou com duas questões chaves - o arquivamento de uma investigação de corrupção contra Suharto e a crise no Timor Leste.
Sua decisão de permitir um referendo sobre a independência do território levou à vitória esmagadora da secessão, e milícias pró- Jacarta promoveram um levante no território. Soldados de paz internacionais foram enviados para conter o banho de sangue.

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