Chances de brasileiro escapar de pena pesada é mínima7/Mar, 17:32 Newman, Eua, 7 (AE) - Não foi fácil encontrar 12 jurados isentos para julgar Wedson de Morais. O crime teve alta repercussão não só em Newman, onde ocorreu, mas em toda comarca de Stanislaus. O juiz Glenn Richtey fez a seleção entre 88 pessoas, excluindo os moradores de Newman. O problema: as vítimas eram conhecidas e admiradas pela maioria dos 6 mil habitantes do lugar. O sentimento popular de revolta contra Morais ainda é grande, três anos depois do crime. Uma dezena de rápidas entrevistas nas ruas, na véspera do julgamento, não produziu nenhum voto a favor de poupar a vida do brasileiro. O julgamento ocorre na cidade de Modesto, a sede da comarca de Stanislaus, que abarca Newman. Deve durar um mês. Terá duas fases distintas. A primeira será para determinar se o brasileiro é culpado de assassinato com circunstâncias agravantes - por ter matado duas pessoas e ferido outra. A segunda será para estabelecer a pena. Durante a primeira, os advogados de Morais e a promotoria ainda podem fazer um acordo e encerrar o julgamento, considerando o brasileiro "inocente por motivo de insanidade". Em termos legais, significaria que ele estava fora de si no momento do crime. Morais iria para um manicômio, com chances de sair quando e se os médicos o declarassem são. Tal acordo é improvável. "O crime foi horrível, o povo quer Justiça, nós queremos pena de morte", disse o promotor John Goold. Ele aposta que vencerá a fase inicial: "A polícia o prendeu em flagrante, a culpa está bem estabelecida", confia. Mesmo se for considerado culpado, o brasileiro pode receber uma pena diferente daquela pedida pela promotoria. Casos idênticos já produziram tanto sentenças de perpétua como de apenas 30 anos que permitem liberdade condicional em 20. O advogado Nicholas Palmisano voltou do Brasil na véspera do julgamento, guardando em segredo suas descobertas - pretende usar algo ainda não revelado, que teria ocorrido no passado de Morais, para sensibilizar os jurados. As chances do brasileiro escapar sem uma pena pesada são difíceis. Pesquisas indicam que na região de Modesto, onde está a sede da comarca de Stanislaus, o povo é majoritariamente a favor da pena de morte para casos de assassinato. No caso de crime cometido por Morais, o povo de Newman já falou. O barbeiro Will Forbus, que em geral é contra a pena, diz que dessa vez é diferente: "Eu conheci o casal Hunt (as vítimas). Eram os melhores da cidade. Se o crime deles ficar impune, não haverá mais paz neste lugar". Virginia Villarreal, balconista de uma ótica: "Pena de morte, sem dúvida. Deve ser olho por olho e dente por dente". O português João Simas, aposentado, também é pela pena máxima: "Aqui era um lugar pacífico, um paraíso, mas agora não é mais" . (RAO)

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