Chanceler venezuelano diz que chuvas podem ter matado 20 mil
Caracas, 20 (AE-AP) - Em meio a uma onda de cifras controversas, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, José Vicente Rangel, declarou hoje (20) que entre 5 mil e 20 mil pessoas morreram em consequência das chuvas da semana passada no país.
"Temos ouvido cifras que oscilam entre 5 mil, 10 mil, 15 mil e 20 mil vítimas", disse Rangel. "Qualquer uma delas pode ser a correta, mas o certo é que até agora já contamos 1.500 cadáveres."
"Pode-se supor que numa tragédia da magnitude desta muita gente tenha sido soterrada pela lama e pelas pedras, e é certo que há muitos cadáveres no mar", acrescentou o chanceler. O governo estima em 150 mil o número de desabrigados em todo o país.
A operação militar Resgate 2000, liderada pessoalmente pelo presidente do país, Hugo Chávez, retirou de várias áreas isoladas da costa do Caribe mais de 40 mil pessoas que estavam sem água, alimentos e medicamentos. Centenas de helicópteros - incluindo vários emprestados por governos estrangeiros -, aviões e navios estão sendo usados no resgate.
Ginásios esportivos, escolas e até aeroportos foram transformados em abrigo para os que perderam suas casas. "Agradeçamos por estar vivos", disse Chávez, em uniforme de campanha, a famílias abrigadas no Poliedro, um vasto complexo de casas de espetáculos e quadras de esportes de Caracas. "Os bens materiais podem ser recuperados."
Em declarações a emissoras de rádio e TV, Chávez afirmou que o maior desafio do governo agora é alojar dignamente todos os flagelados até o Natal. Nas dezenas de visitas que fez aos centros de refugiados dos arredores de Caracas nos últimos dias, Chávez tem prometido construir, com a ajuda da iniciativa privada, milhares de casas populares seguras. "No planalto ou no vale, todos viverão tranquilos, sem medo de que o morro caia", assegurou.
Nas últimas décadas, centenas de milhares de venezuelanos empobrecidos têm migrado para a capital, instalando-se em barracos nas encostas dos morros de Caracas.
Chávez anunciou também que patrulhas militares têm ordem para agir com rigor para evitar saques e desordens nas áreas mais atingidas pelas inundações. O presidente, porém, garantiu que não tem intenção de impor toque de recolher nessas regiões.
Na sexta-feira, agentes da Guarda Nacional tiveram de fazer disparos para o ar para dispersar uma multidão que ameaçava saquear estabelecimentos em Vargas, no litoral caribenho.
O médico Arturo Contreras, chefe da equipe de primeiros socorros que atua no centro de refugiados improvisado no aeroporto de Caracas, disse hoje que a maior preocupação agora é evitar um surto de doenças infecto-contagiosas entre os desabrigados.





