Chanceler argentino diz que em empresários devem saber conceder
Chanceler argentino diz que em empresários devem saber conceder15/Mar, 21:16 Por Yolanda Vianna São Paulo, 15 (AE) - O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Adalberto Rodriguez Giavarini, trouxe uma mensagem clara para os empresários argentinos no Brasil. Durante um encontro hoje, em São Paulo, o chanceler alertou que para um bom entendimento entre os dois países a área empresarial deve esforçar-se e saber fazer concessões. A conversa com os empresários brasileiros foi parecida. A estratégia politico-econômica argentina é respeitar todos os acordos estabelecidos pelo Mercosul. "O Brasil é o principal sócio da Argentina e vamos buscar soluções para que essa parceria seja um jogo de ganhadores", disse o ministro. Ele se referiu, diretamente, à pressão da indústria têxtil argentina para desconsiderar as medidas impostas pela arbitragem do Mercosul, suspendendo as salvaguardas contra produtos brasileiros. Rodriguez garantiu ainda que a política cambial argentina de dólar-peso, de 1 por 1, vai continuar, independentemente de mudanças cambiais no Brasil. É que os empresários argentinos têm mostrado inquietação com o impacto da desvalorização do real na economia da Argentina. Vários pontos ficaram definidos na visita do chanceler. Rodriguez defendeu a coordenação de uma política fiscal entre Brasil e seu país, como o primeiro passo para uma convergência macroeconômica. A estratégia argentina é criar parâmetros fiscais para facilitar o intercâmbio comercial, coroando com a formação de um único bloco econômico latino-americano, com uma moeda comum. Na opinião do chanceler argentino, a entrada formal do Chile no Mercosul vai ser um grande desafio. A economia chilena é a mais aberta da América Latina e os demais países, incluindo Paraguai e Uruguai, terão de se adequar, abrindo também os seus mercados. Ele não descartou, porém, a possibilidade de seu governo criar medidas especiais de proteção de alguns setores considerados vulneráveis, como o de laticínios, frango, aço e açúcar. Essa questão tem sido ponto de preocupação de empresários brasileiros, que também estiveram reunidos com o ministro Rodriguez. Do empresariado argentino o ministro ouviu várias reclamações. Uma delas referente a trâmites burocráticos. O representante da Arcor Nechar Alimentos, Sergio Asis, queixou-se de que dois caminhões estão parados na fronteira por causa de problemas alfandegários. Dos representantes da área de seguros, ele ouviu pedidos para facilidade de ampliação no mercado brasileiro. Agenda - Amanhã o chanceler argentino chega a Brasília para organizar a agenda do encontro bilateral de ministros de Economia, Relações Exteriores e de Defesa, que acontecerá no dia 27 de abril. Rodriguez disse ainda que nos dias 22 e 23 deste mês haverá uma reunião em Buenos Aires, com empresários do setor automotivo.





