Rio, 25 (AE) - A decisão do governo de vender refinarias da Petrobrás está movimentando o mercado de distribuição de combustíveis. Atualmente, 11 das 13 refinarias instaladas no Brasil são administradas pela Petrobrás, que responde por cerca de 97% dos derivados de petróleo processados no País. Afora a BR
subsidiária da estatal, as três maiores distribuidoras multinacionais que operam no Brasil - Shell, Esso e Texaco - possuem refinarias nos principais mercados em que atuam.
"A venda de refinarias é uma proposta interessante para aumentar a competitividade no mercado", diz Alísio Vaz, gerente de Relações Setoriais da Ipiranga, distribuidora nacional que está entre as cinco primeiras do ranking. Segundo Vaz, o interesse da empresa na compra de novas refinarias vai depender das condições e dos preços impostos pela Petrobrás. "Ainda não avaliamos isto", disse Alísio.
A Ipiranga é proprietária de uma refinaria no Sul, construída antes da decretação do monopólio e que é um dos dois únicos investimentos privados do setor. O outro é a Refinaria de Manguinhos, do Grupo Peixoto de Castro, que há alguns meses teve metade do capital adquirido pela argentina Yacimientos Petroliferos Fiscales (YPF). Recentemente a YPF também firmou parceria com a BR Distribuidora para instalar nos principais mercados nacionais uma rede de postos de revenda.
As duas refinarias privadas são responsáveis por apenas cerca de 3% dos derivados processados no País.
Segundo o presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP) o aumento da participação privada no setor contribuiria para elevar a eficiência do parque de refino nacional, que hoje tem capacidade de processamento de 1,834 mil barris por dia, enquanto o consumo diário de combustíveis chega a 2,5 milhões de barris. "O uso do capital privado, nacional ou estrangeiro, pode aumentar esta capacidade", argumenta Jaime Rotstein, um dos representantes privados escolhidos para integrar o Conselho de Administração da Petrobrás.
Ontem (24), durante a posse do novo presidente da empresa, Henri Philippe Reichstul, o ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, confirmou que alguns ativos da estatal, especialmente na área de refino e transporte, serão transferidos para a iniciativa privada.
No dia 16 de abril o Conselho de Administração, presidido por Tourinho, fará sua primeira reunião, onde deverão ser discutidos critérios de escolha do representante dos funcionários no conselho. Reichstul iniciou hoje o seu mandato como presidente da estatal, mas ainda não escolheu os nomes que o acompanharão na diretoria.

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