Chagas que não cicatrizam
Um misterioso fenômeno registrado há quatro anos mudou por completo a vida do empresário Valdecir Antonio Moroti, de 50 anos, morador em Arapongas, no Norte do Paraná. Desde então, ele não leva uma vida normal e falta com certa frequência ao trabalho por sentir dores de forma permanente em partes do corpo. As dores interferem, segundo ele, em seus relacionamentos sociais e familiares e causam uma série de limitações. Muitas vezes, diz, nem consegue andar ou dirigir.
Moroti lembra que tudo começou em 19 de agosto de 2007, quando teria recebido a mensagem de que apareceriam em seu corpo os sinais da crucificação de Jesus. Moroti afirma que no mês seguinte teriam surgido os ferimentos, os quais garante não ser provocados por nenhum objeto. Desde então, completa, nunca cicatrizaram. O empresário assegura que as feridas sangram sem interrupção e, por isso, precisaria trocar os curativos de duas em duas horas.
O que mais chama a atenção, entretanto, não é o fato de sentir dores ou da não cicatrização, mas o local onde estão as feridas: no meio das duas mãos e nos pés. São os mesmos pontos atingidos quando Jesus Cristo foi pregado na cruz. Há também um ferimento de cerca de seis centímetros no lado direito do tórax e marcas na cabeça como se fosse perfurada por espinhos. Desde o suposto aparecimento dos ferimentos, ele diz que passou a ter visões e receber mensagens, algumas, inclusive, na presença de grande número de fiéis, como acontece no recanto em Apucarana.
Apesar das dores e da mudança de rotina, o empresário diz que aceita a ''responsabilidade'' por entender que seria parte da missão que tem a cumprir. Moroti admite que tem a saúde abalada, que vai ao médico regularmente, mas nunca buscou tratamento para cicatrizar as chagas. ''O meu médico é Jesus'', justifica.
Ele diz desconhecer casos semelhantes em outros lugares, mas uma comparação quase inevitável é feita com o padre capuchinho Pio de Pietrelcina, que teve os sinais da Paixão de Cristo em seu corpo no século passado. O padre Pio foi canonizado em 2002 e seu santuário é um dos mais visitados na Itália.
Da mesma forma que há muita gente que acredita na divindade das chagas e nas mensagens enviadas por Nossa Senhora, há também aqueles que duvidam das aparições e criticam o empresário por este comportamento. Ele afirma que considera normal as críticas e que respeita as opiniões contrárias. ''A minha missão não é fazer com que as pessoas acreditem em mim, mas ser fiel ao que Nossa Senhora pede e cumprir rigorosamente a doutrina da Igreja'', argumenta.
O vidente diz que já teve medo de ser abandonado pela família e pela sociedade. Ele comenta não saber por quanto tempo continuará com a ''missão'', mas garante estar espiritualmente preparado. ''Humanamente há uma certa dificuldade, mas com muita oração e a força de Deus nada é impossível.'' (E.A.)





