São Paulo, 06 (AE) - A Favela Heliopólis, onde Valério Cotta de Oliveira, o Carioca, é o principal traficante de crack, maconha e cocaína, é a segunda maior do País, perdendo somente para a da Rocinha, no Rio. A polícia informou que Carioca conseguiu muitos pontos-de-venda de drogas matando os rivais. Ele era ligado ao traficante Gideone de Lima Santos, o Pezão, preso pela polícia há dois anos e cumprindo condenação no presídio de Taubaté.
Pezão comandava a maior parte dos pontos de tráfico das Favelas Heliópolis e Jardim Elba. Depois de sua prisão, Carioca começou a pressionar os "pequenos" traficantes e a tomar seus pontos. Dizia que pretendia em pouco tempo ser o "dono" de todos os pontos do complexo formado pelas Favelas de Heliópolis, Vila Prudente, Morro do Urubu, Paraguai, Circo Real, Jacareíbe e Cohab Cintra Godinho, na zona sul.
O movimento de venda de crack, maconha e cocaína é grande nas favelas e as mortes começaram no início de 1998. O maior obstáculo para Carioca chefiar o complexo sempre foi Wilson Andrade de Souza, o Barriga. Ele mandou recados para o rival dizendo que mataria todos os que tentassem evitar o seu crescimento no tráfico.
Um investigador que participa das apurações para o esclarecimento das chacinas informou que na sexta-feira, durante o velório de José João Souza, pai de Barriga, morto no fim da noite da quinta-feira com outras sete pessoas, os parentes prometeram vingar-se. Ao saber da ameaça de vingança, Carioca reuniu os mesmos cúmplices da primeira chacina e decidiu que toda a família de Barriga deveria morrer.

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