Chacina foi impulsionada por ordem de Deus, diz autor
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quarta-feira, 07 de agosto de 2013
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Londrina O maquiador Diego Ramos Quirino, de 30 anos, que matou a mãe e mais três pessoas no fim de semana em Londrina declarou em depoimento ontem que cometeu a chacina "impulsionado por uma ordem de Deus". Quirino, que se manteve calado durante a sua prisão no sábado, falou pela primeira vez ao delegado que cuida do caso, William Douglas Soares.
Por motivos de segurança, o depoimento foi realizado na unidade 2 da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), onde Diego está preso. O acusado esteve acompanhado por um defensor público.
"Ele declarou que recebeu ordens de Deus para agredir seus amigos e para que matasse a mãe e a companheira. Como a mulher fugiu ele entendeu que não era a hora dela. O Diego falou que agiu com um sentimento de justiça para eliminar os espíritos da maldade que dominavam as outras pessoas pessoas que foram mortas", relatou o delegado. "Ele não falou em arrependimento já que acredita que libertou essas pessoas."
A companheira de Quirino, Patrícia Amorim Dias, de 19 anos, foi ouvida novamente ontem e confirmou que, momentos antes do crime, Quirino não apresentava nenhum comportamento diferente e que o estopim para a crise foi uma conversa sobre os acontecimentos da tarde em Cambé (Região Metropolitana de Londrina). "Isso o ofendeu e ele começou a agredir a Patrícia, que conseguiu fugir antes dele se apossar da faca", contou William Soares.
Quirino estava com amigos durante a tarde de sábado em Cambé quando teve um surto e chegou, inclusive, a ameaçá-los com uma faca. A polícia foi acionada e Diego foi encaminhado a um pronto atendimento. A médica que o atendeu, também foi ouvida ontem. Segundo o depoimento, o atendimento foi simples e o rapaz não apresentava nenhum problema de saúde e nem mesmo se mostrava agressivo ou ansioso. "A médica até questionou por que dele estava em um pronto-socorro já que ele não tinha nenhum problema. Ela sequer prescreveu algum remédio ao Diego", frisou o delegado.
Já a tia de Quirino, Adriana Benck dos Anjos, que tentou visitar o sobrinho na tarde de ontem, discorda do diagnóstico médico e acredita que se o sobrinho tivesse ficado internado a tragédia teria sido evitada. "Houve um erro no momento em que ele foi liberado para ir para casa. Nós pedimos para ele ficar internado, porque já sabíamos que ele não estava bem. O surto que ele teve em Cambé foi informado aos médicos", contou a tia.
"Tanto a médica quanto a enfermeira informaram, em depoimentos, que não houve solicitação para a internação, muito pelo contrário. Tanto o amigo quanto a esposa queriam levá-lo para casa", explicou o delegado.
Depois de ouvir nove pessoas o delegado aguarda apenas alguns laudos do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico Legal (IML) para concluir o inquérito ainda esta semana. "Não tenho dúvidas que o Diego foi impulsionado por um surto psíquico e o que desencadeou este surto só mesmo uma avaliação médica para apontar", ressaltou William Soares. Diego Quirino será indiciado por quatro homicídios qualificados e uma tentativa de homicídio qualificado.


