Chacina em Guaíra
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segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Diego Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Curitiba- Quinze pessoas foram executadas e oito ficaram feridas em Guaíra (158 km ao norte de Cascavel), próximo à fronteira com o Paraguai, no início da tarde de ontem. A chacina ocorreu em uma chácara, na Vila Santa Clara, às margens do Lago de Itaipu.
O secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, afirmou se tratar de uma guerra do tráfico de drogas. Entretanto, a Polícia Federal (PF) informou que, entre os mortos, estão algumas pessoas que trabalhavam no local sem qualquer envolvimento com o tráfico. Os autores teriam fugido de barco para o Paraguai. Morreram 13 homens, uma mulher e uma menina.
''Morreram pessoas inocentes que trabalhavam na própria chácara'', afirmou o delegado da PF em Guaíra, Érico Saconato. Ele passou a tarde no local do crime e contou que os autores seriam três pessoas que estariam vingando um homicídio ocorrido há dois meses.
A Secretaria da Segurança Pública (Sesp) suspeita que mais de cinco pessoas teriam participado do crime. Todos já foram identificados mas os nomes não serão revelados para não atrapalhar a investigação. Foram encontrados quatro tipos de calibre no local, além de três veículos com placas de Curitiba, Uberlândia (MG) e Osvaldo Cruz (SP). Também teriam sido encontrados entre 7 e 8 quilos de maconha. O delegado chefe da Divisão Policial do Interior, Luiz Alberto Cartaxo, disse que pode haver inocentes entre os mortos.
Além da vingança, o motivo da chacina, segundo Delazari, seria uma dívida de cerca de R$ 4 mil que um homem conhecido como ''Polaco'' tinha com um grupo rival. ''Polaco também seria suspeito da morte de uma pessoa'', disse Delazari.
O secretário contou que o crime aconteceu de maneira rápida. Por volta das 14 horas de ontem, integrantes de uma quadrilha de traficantes invadiram um pequeno galpão, onde estariam Polaco e mais duas pessoas. O grupo forçou Polaco a chamar pessoas que o ajudariam no tráfico para irem ao local. Sete pessoas foram encontradas mortas no galpão com tiros na cabeça.
As polícias suspeitam que as vítimas foram mortas assim que chegaram no local. Outros três corpos estavam em um matagal e mais dois, próximos de um pequeno porto do Lago de Itaipu.
''Eles chegaram de barco e foram embora de barco'', contou o secretário. De acordo com ele, entre os feridos estariam pessoas que fingiram estar mortas. Polaco seria o dono um porto no Lago de Itaipu e, segundo a Polícia, ele apenas daria cobertura para traficantes que utilizavam o lago para o o transporte de drogas. Os nomes das vítimas não foram divulgados.
Mais de 200 policiais investigam o crime.


