Rio, 22 (AE) - Seis pessoas, entre elas duas crianças, de 13 e 14 anos, foram assassinadas, na madrugada de hoje, por um grupo de extermínio que lançou até granadas no conjunto habitacional Jardim Boa Esperança, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A chacina ocorreu por volta das 4 horas. Feridos, Cristina Paulino Mariano, de 32 anos, e o filho José, de 1 ano, estão internados em estado grave no Hospital Rocha Faria, em Campo Grande, zona oeste.
O crime foi cometido por um bando formado por 15 a 20 homens armados de fuzis e granadas. Eles invadiram o conjunto numa ação simultânea, iniciada em dois pontos distintos da favela. Na casa do comerciante Ademilson Paulino Mariano, de 33 anos, os assassinos lançaram duas granadas - no quarto de casal e no banheiro. A 500 metros de distância da residência, mataram outras três pessoas. No barraco de quatro cômodos do comerciante dormiam, além de Mariano, sua mulher, Cristina, o filho José e os cunhados Tiago, de 14, e Leandro, de 13. Os dois meninos haviam chegado à casa na noite anterior ao crime para passar as festas de fim de ano com a irmã.
José teve afundamento de crânio, causado por estilhaços de granadas. Cristina está com uma bala alojada no cérebro. Pela localização, o projétil não pode ser removido. A explosão destruiu todos os cômodos da casa. Os assassinos dispararam dezenas de tiros - mais de 60 cápsulas de calibre 9 milímetros foram recolhidas pela polícia. Desfigurado - O chefe do Setor de Homicídios da 55.ª Delegacia de Polícia (Queimados), detetive Eurípedes de Jesus, disse ter ficado chocado com as cenas da tragédia. "Estou há três anos nessa área, mas não é fácil ver um menino de 13 anos com o rosto desfigurado por um tiro".
A 500 metros da casa de Mariano, os assassinos abandonaram os corpos de Anderson Ferreira Maciel, o Gordinho, de 20 anos, Cláudio da Costa, o Vovô, de 34, e João Batista de Menezes, o Chapolim, de 22 anos. Há cerca de um mês, Chapolim tivera um sobrinho decapitado, na mesma favela. "Terra de Marlboro" - "Isso aqui é terra de Marlboro", afirmou um vizinho das vítimas. "Quando cai a noite só se ouvem pipocos, parece até virada de ano". A mãe de Chapolim, Irani, disse ter ficado aliviada com a morte do filho. "Ele vendia tudo o que tinha dentro de casa, não obedecia a ninguém", desabafou. "Não sou a primeira nem a última mãe a ter um filho morto".
A polícia acredita que a chacina tenha sido cometida para vingar a morte do líder de um grupo de extermínio, identificado como Eliseu, morto há um mês. "Isso foi coisa de profissionais, gente que fez curso das Forças Especiais do Exército", afirmou Jesus. "Eles lançaram as granadas de forma perfeita e usaram um tipo de nó para amarrar o Gordinho que, se ele corresse, se enforcava".
O detetive Jesus disse ter recebido a informação de que Gordinho, Vovô e Chapolim praticavam assaltos na região e costumavam reunir-se na casa de Mariano. "Meu irmão não era bandido", garantiu Alcides Mariano. "Ele tinha uma venda a poucos metros daqui e só queria cuidar do filho." Alcides negou que o irmão estivesse sendo ameaçado de morte e não soube explicar o motivo do crime.

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