Raimundo Valentim/Agência Estado
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ManifestaçãoMoradores de Vigário Geral carregam caixões simbólicos, em protesto contra a impunidade na chacina de 93Moradores e familiares dos 21 mortos na chacina de Vigário Geral, ocorrida em 1993, lembraram ontem o crime com um protesto pedindo justiça. Cerca de 60 manifestantes fizeram uma caminhada carregando 21 caixões e faixas pedindo punição aos culpados. A caminhada começou às 8 horas na favela de Vigário Geral, zona norte do Rio, e terminou às 5 horas na porta do Palácio Guanabara, sede do governo, zona sul, onde os moradores deixaram os caixões em exposição e entregaram uma carta.
Os manifestantes foram recebidos pelo secretário-chefe do Gabinete Militar, coronel Sérgio Luis Marques, porque o governador já havia deixado o Palácio. Os moradores e familiares entregaram ao secretário a carta dos coordenadores da Casa da Paz, organização não-governamental criada no local onde oito das 21 vítimas foram assassinadas.
No documento, os moradores pedem ao governador apoio ao processo de indenização dos familiares das vítimas da chacina, obras de melhorias no sistema público de saúde, educação e cultura que atendam a comunidade, e ajuda financeira e institucional para desenvolver projetos que possam representar um estímulo aos jovens da favela.
Segundo o coordenador-geral da Casa da Paz, André Fernandez, a caminhada foi para impedir que o processo caia no esquecimento. ‘‘Já faz quatro anos que aconteceu o crime e a Justiça continua lenta na apuração dos culpados’’, disse Fernandez.
A mulher do servente Joacir Medeiros, morto na chacina, a dona de casa Iracema Ferreira Medeiros, disse que ainda tem medo da Polícia e continua na favela porque não tem outro lugar para morar. ‘‘O crime vive na memória dos moradores da favela’’, afirmou.
A caminhada começou com pelo menos 60 manifestantes que percorreram 14 quilômetros desde Vigário Geral até a Avenida Brasil, via expressa que liga a zona norte à zona sul. De lá, eles pegaram dois ônibus e desceram na igreja da Candelária, de onde seguiram também de ônibus para o Palácio Guanabara.
No primeiro julgamento do caso, este ano, o policial militar Paulo Roberto Alvarenga foi o único culpado e condenado a 426 anos. Outros 26 réus aguardam julgamento presos e 12 acusados esperam em liberdade. Dois acusados estão foragidos e dois foram mortos. Oito policiais ganharam liberdade por falta de provas.

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