Curitiba – O reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Zaki Akel Sobrinho, prestou esclarecimentos ontem na sede da Controladoria-Geral da União (CGU) em Curitiba sobre o indiciamento de dez médicos do Hospital de Clínicas (HC), acusados de receber salários sem trabalhar. Segundo a assessoria de imprensa da instituição, ele se colocou à disposição da CGU e da Polícia Federal (PF) para contribuir com as investigações da Operação São Lucas, desencadeada no dia anterior.
Conforme os dois órgãos, os "fantasmas" cumpriam em média 7% da carga horária determinada em seus contratos; no restante do tempo, prestavam expediente nas próprias clínicas ou hospitais. A PF informou que os acusados fraudavam as folhas-ponto, preenchidas manualmente. Já o trabalho ficava a cargo dos residentes. Radioterapia, clínica médica, transplante de medula óssea e cirurgia cardiotorácica eram alguns dos setores onde ocorriam irregularidades. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.
Nota enviada ontem pela CGU acrescentou que 27 dos 168 cirurgiões (16,07%) realizaram 61,41% das cirurgias do HC no período analisado (a partir de 2010). "Até entre aqueles que estavam na faixa dos mais assíduos o quantitativo médio de dias de trabalho era baixo (15%)". A CGU recomendou à UFPR a instauração de procedimentos disciplinares, mas a universidade alegou que espera a conclusão do inquérito para tomar as medidas cabíveis. Informou ainda que está adotando uma série de ações corretivas, como implantação de ponto eletrônico e biometria.

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