CGT argentina negocia greve marcada para quinta-feira
Buenos Aires, 21 (AE-AP) - Embora já tenha marcado uma greve geral para a próxima quinta-feira, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), da Argentina, continua negociando com o governo mudanças no projeto de reforma da legislação trabalhista. Se a paralisação acontecer, será a primeira contra o governo do presidente Fernando de la Rúa, que assumiu em 10 de dezembro.
Analistas garantem que a CGT, antes poderosa, não teria atualmente condições de paralisar o país. Isso explicaria a despreocupação da Casa Rosada. Os programas de abertura econômica e flexibilização das regras trabalhistas, postos em vigor pelo ex-presidente Carlos Menem, a quem a CGT apoiou, provocaram o fechamento de milhares de empresas. Consequentemente, o movimento sindical se enfraqueceu. Segundo fontes da CGT, em 1975 o número de filiados da agremiação era de quatro milhões. Hoje é de somente 1,7 milhão.
De la Rúa e seu ministro do Trabalho, Alberto Flamarique, enviaram no mês passado ao Congresso o projeto de reforma da legislação trabalhista. O atual foi escrito na década de 60. O governo explica que o seu propósito é o de criar condições para o surgimento de novos postos de trabalho e reduzir a elevada taxa de desemprego, atualmente em 14%. A intenção também é regularizar a vida de milhões de argentinos, atualmente trabalhando sem benefícios sociais.
O novo projeto oferece incentivos como a diminuição de impostos às empresas, em especial pequenas e médias, que aceitem empregar mais pessoal. Além disso, aumenta o período de experiência para os recém- contratados. Também altera o atual sistema de negociação dos contratos de trabalho, dando mais poder aos sindicatos de fábrica ou regionais.
A CGT questiona totalmente o projeto. Argumenta que o objetivo é enfraquecer os sindicatos e favorecer o setor patronal. Contudo, analistas acreditam que o temor da CGT é perder o controle que sempre teve sobre os sindicatos, além de ter de dividir as contribuições sindicais descontadas nas folhas de pagamento.





